sábado, 21 de abril de 2012

PROVA DE FILOSOFIA?


DEVE-SE AVALIAR O ENSINO-APRENDIZAGEM DE FILOSOFIA PELO INSTRUMENTO DA PROVA?

O currículo escolar, de modo geral, está estruturado em um modelo técno-científico. Técnico por ser instrumental, visa ao domínio das técnicas e instrumentos para transformar ou dominar o seu objeto de estudo. Científico, por ser estritamente matemático, analítico, experimental e utilitário.
As Ciências têm por objeto de estudo os fatos e a descoberta do Como? eles se dão. A característica principal das disciplinas cientificas é analisar estes fatos para descobrir suas causas e dominar seus efeitos.

Já a Filosofia, julga os valores, o significado, ela não tem um objeto de estudo específico como a Geografia, a Matemática, a Biologia. A Filosofia trabalha com a totalidade, com o desenvolvimento da consciência, da liberdade, da ética, da leitura de mundo, da formação dos juízos corretos de valor, atua no campo das intersubjetividades e dos valores.
   
O estudo da Filosofia não se prende ao objeto, ele transpassa para o intersubjetivo (aquilo que é próprio do Ser, da relação entre Sujeitos e deste com a realidade vivida). Isto a faz por princípio, desenvolver métodos que priorizem não a avaliação do conhecimento de modo instrumental como provas. Mas, de orientação do saber mais crítico. O método avaliativo da Filosofia é por natureza, não descritivo e técnico, é sim, argumentativo e reflexivo. Não em direção a resposta, mas, a pergunta; não na relação entre coisas, mas entre sujeitos; não visa, por exemplo, a preparação para um emprego, mas sim a reflexão crítica sobre as bases sócio-valorativas do trabalho; não visa à preparação para o vestibular; mas o por quê? E para quê? Escolher uma profissão ou um curso superior. Por exemplo.

Portanto, os exercícios do conteúdo escolar de Filosofia, não são os de fixação; são os de reflexão. Seus métodos não visam à absorção de conhecimentos prontos, mas a habilidade em construí-los os próprios alunos, não no sentido do uso ferramental, mas, no sentido de provocar o despertar da consciência crítica e ética diante do mundo.

A Filosofia não usa métodos que avaliem o conjunto de informações adquiridas pelo aluno nos espaços de um ano letivo ou de períodos bimestrais, ela avalia o desenvolvimento da criticidade do aluno, perante a si, e ao mundo da realidade, no desenvolvimento de habilidades e competências valorativas que o levam do senso comum ao senso crítico, demonstrados não por fórmulas em uma prova, mas pela atitude e aplicação dos conceitos filosóficos na argumentação direta e cotidiana, entre e com os demais colegas, mediada pelo professor que o orienta com base nos conceitos e idéias Filosóficas. A “avaliação” do ensino de Failosofia, é um exercício do pensamento prático e vivencial na relação mesma com os outros.

De outro modo: a avaliação em filosofia é atitudinal, na relação moral e ética do aluno no seu próprio espaço vivido, tendo a escola e a prática em sala de aula como espaços privilegiados para perceber esta evolução. O professor desta disciplina não testa o conhecimento técnico do aluno, ele acompanha sua evolução como pessoa humana e o auxilia com os fundamentos valorativos do conhecimento Filosófico para a vida.  

Sendo assim o instrumento avaliativo do tipo Prova (no modelo tradicional), atende a uma educação instrumental e científica, mas não é adequada ao ensino da Filosofia. Pois acaba por avaliar algo que está fora do aluno, está no próprio instrumento, está no próprio objeto a Prova.

Westerley A.Santos- Prof. Filósofo/Br
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.              Ago/2003


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