sexta-feira, 23 de setembro de 2016

REFORMA DO ENSINO MÉDIO?



ESPECIAL  AOS  PROFESSORES,  ALUNOS  E  A  TODA A SOCIEDADE.

Devido aos esperados ataques da política neoliberal aos direitos educacionais, sociais, políticos e culturais dos cidadãos brasileiros, iniciados pela medida provisória nº 746/ 22.09.2016, enviada pelo governo/mec ao congresso nacional, sobre a “reforma do ensino médio”.  Disponibilizarei nesta página, uma análise preliminar sobre a “reforma” e, em seguida, vários links de fontes confiáveis para informações mais detalhadas sobre esta medida que, poderá colocar em risco a estrutura antropológica (formação do homem), epistemológica (base do conhecimento científico) e axiológica (formação para os valores humanos como a ética e toda a escala dos valores) da atual e das futuras gerações.                                                                                                                                                                                                 Prof.  Westerley  Santos


 Consulta pública sobre a reforma: Vote no link abaixo!

 
Entenda o que é Neoliberalismo...
 



Como denunciado em três artigos que publiquei em 2011 (“ver abaixo- crise no Ensino médio ou farsa ideológica”?), efetiva-se nesta quarta (22/0916) mais um ataque neoliberal aos direitos sociais, denominada: “Reforma do Ensino médio”. Lembrando que o tripé da ideologia neoliberal é: 1) O império do Livre mercado, 2) Retirar Direitos sociais transformando-os em serviços e 3) Desestruturação da organização social e trabalhista de classe e categorias profissionais.

 A Medida Provisória (MP 746) que está sendo encaminhada ao Congresso Nacional propõe:


Base:
1ª - "enxugamento de disciplinas do E. Médio Público" – Agrupando algumas por área e, desobrigando e excluindo outras.

A intenção é reduzir os conteúdos de formação mais humana, crítica, política, de cidadania e valores éticos, de desenvolvimento da sensibilidade estética como artes, Educação Física, cultura... E, incluir o ensino técnico para fins de mercado.

2ª - "Flexibilização  para ensino técnico”- Mudança do eixo humanista e crítico-científico para técnico-operácional. Oferta do ensino técnico para preparação de mão de obra jovem e barata em detrimento à formação humana, científica e de cidadania.

“Flexibilizar” significa recortar, fatiar, dividir o Ensino Médio em duas partes: uma chamada de Base comum, que será mínima e insuficiente, (pela MP 756 apenas Português, Matemática e Inglês) e, a segunda parte será de “livre escolha” do aluno, conforme a “livre oferta” dos Estados. Ainda assim, o estudante poderá “cursar” quantas disciplinas e quando quiser,  claro! Se o Estado onde mora ofertar a disciplina que ele desejar ou precisar cursar (para fins de vestibular, por exemplo) ou, nem precisará cursar nenhuma disciplina desta segunda parte, caso comprove, por exemplo, um notório saber prático ou adquirido por outros meios. Em qualquer destes casos receberá um diploma parcial dizendo que está hapto ao mercado de trabalho. É a educação self-service com cardápios de disciplinas . Na prática será um cardápio  para os  ricos e outro para os pobres.

3º - Instrumentalizar o Ensino da Matemática, Português e Inglês. – reforçar estes conteúdos utilizando-os para fins instrumentais de preparação do aluno no aprendizado dos cursos técnicos, práticas operácionais e procedimentais para as empresas.


  
A PROPOSTA REFORMA OU DEFORMA O ENSINO MÉDIO?
Análise Inicial
 Integrando, enxugando e excluindo disciplinas e conteúdos;

1 - Com a proposta o Governo foge do problema central que é o déficit e a evasão de Professores devido à baixa atratividade, valorização da profissão, melhorias de salários e das condições de trabalho e das escolas públicas.

2 - Evitando investir na valorização da carreira para atacar o déficit de professores, o Governo se desobriga a abrir novos concursos, melhorar salários e formação continuada dos professores, pois, diminuirá conteúdos, agrupará disciplinas, incluirá ensino técnico abrindo assim, espaço para contratação de INSTRUTORES Técnicos, pelo sistema “freelancer” (sem vínculo empregatício), no lugar de PROFESSORES com formação pedagógica e de licenciaturas, com vínculo empregatício e pedagógicos com alunos, pais, escola e educação. - É A TRANSFORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM NEGÓCIO, PASSANDO-A DE UM DIREITO, PARA  UM SERVIÇO OU PRODUTO.

 3 – Agrupando as disciplinas em áreas o governo cria a figura do professor generalista em Humanas, Da Natureza etc... Assim, diminui a necessidade de contratação de professores para as disciplinas específicas e, aumenta o conteúdo a ser trabalhado pelo mesmo professor, comprometendo a profundidade e abrangência dos conteúdos para o aluno, o que prejudicará a qualidade da educação básica. É A EDUCAÇÃO SUPERFICIAL OU SIMBÓLICA para a classe pobre.

4 – A Educação enxuta atingirá massivamente os jovens das classes menos favorecidas (86%) atendidos pela escola pública. Como a escola particular possui recursos econômicos, materiais e atende a uma minoria de posses, poderá ofertar um estudo mais aprofundado e de qualidade para o seus alunos, assim estará institucionalizada a distinção de classe na educação. Uma educação superficial e técnica para os filhos dos pobres e uma educação aprofundada e abrangente para os filhos dos ricos. - É A EDUCAÇÃO DOS POBRES E A EDUCAÇÃO DOS RICOS.

5 – Contratação de Professor Freelancers ou com notório saber (sem formação em licenciatura ou pedagogia). Estas medidas estão atreladas a mudança na lei trabalhista que aumentará a carga horária de trabalho, priorizando o negociado sobre o legislado, o que possibilitará mais horas de trabalho para o professor, tendo em vista escola de tempo integral, e, a contratação sem concursos de profissionais técnicos e autônomos para dar aulas no sistema de horas ou produtividade. - “Professor Freelancer”. - É A TRANSFORMAÇÃO DO PROFESSOR EM PRESTADOR DE SERVIÇO AUTÔNOMO.

 6 - Com o sistema de trabalho “freelancer”, o governo visa abrir espaço para contratar professores estrangeiros (autônomos) ou alguém com "notório saber" ( sem formação didático-pedagógica) para suprir o déficit de professores, sem investir na profissão e, precarizar direitos trabalhistas e de organização sindical. -E A TRANSFORMAÇÃO DA DOCÊNCIA EM "BICO".

7 - Português, Matemática e Inglês - com a obrigatoriedade apenas destes três conteúdos o governo sinaliza sua verdadeira intenção. A pergunta é: por que a obrigatoriedade somente destes três conteúdos? Simples! O mercado, a ideologia neoliberal exige, necessita que a mão de obra (jovem e barata) tenha no mínimo o domínio básico da leitura e da escrita para que o jovem empregado seja capaz de ao menos, ler os manuais. 


Quanto a Matemática, que o jovem trabalhador seja capaz de exercitar no mínimo, as quatro operações, ler um gráfico, uma planilha simples nas máquinas e computadores da automação das fábricas. Por exemplo: um assistente de mecânico de automóveis hoje, precisa ler e calcular os dados do computador que faz a varredura do motor dos novos automóveis que são  comandados por 70% de componetes eletrônicos.

Por fim, a língua Inglesa é uma  exigência do mercado globalizado, já que os componentes são importados com seus manuais muitas vezes em inglês. Tudo isso significa que o ensino e aprendizado destas disciplinas deixa de ser para uma finalidade de desenvolvimento crítico, cognitivo, linguístico e de domínio dos signos culturais da linguagem para o sujeito operar sócio-político e culturalmente em sociedade. Deixa de ser um meio de compreensão lógica das relações e proporções, da percepção e investigação lógico-matemática na solução de problemas e construção de alternativas de vida, (Matemática) e passam, (Português, Inglês e Matemática) a figurarem na escola, com o pobre objetivo instrumental de simples ferramenta para formação e operações mercadológicas. É O FIM DA NATUREZA EPISTEMOLÓGICA MESMA, DESSAS DISCIPLINAS, AINDA QUE NEGUEM.

8 - Artes e Educação Física. - A desobrigatoriedade destas duas disciplinas é mais um sinal da verdadeira intenção do governo com a tal reforma. Ora! Claramente não percebe o Governo neoliberal ou maldosamente não quer perceber que; o ensino das Artes é uma necessidade fundamental à formação da humanidade do homem. Somos seres racionais, mas também somos seres de paixões de sensibilidade perante o outro, manifestada pelo sentimento de solidariedade, empatia, altruísmo - base para a vida em sociedade. Somos seres de sensibilidade e percepção do mundo e da natureza. Sensibilidade manifestada pela contemplação do belo, enchimento do espírito e da alma com este sentimento de esplendor perante a imensidão e o mistério do mundo natural e social. Estes elementos estão em nós e precisam ser descobertos e desenvolvidos, principalmente na adolescência, é o desenvolvimento da estética da sensibilidade humana perante o mundo e a vida: a razão e consciência da sensibilidade humana, aquilo que nos aproxima do humano e nos distancia da barbárie e da violência. É este o papel e a atribuição do ensino de ARTES. Sem o ensino das Artes estaremos DESNATURALIZANDO O HUMANO PELA TECNIFICAÇÃO DO OPERÁRIO.

A Educação Física, não se limita ao exercício físico e dos músculos, também não é só prática esportiva, é isso também, e só por isso já seria fundamental sua obrigatoriedade, mas, há um elemento essencial: a Educação Física guarda em sua essência a necessidade da descoberta do corpo como guardião, casa, lugar, morada do nosso ser, elemento material que abriga quem somos e nos interage com o mundo material, é onde habita a dignidade humana. É este o ensinamento silencioso que a Educação física imprime na formação de nossos jovens. O perceber-se como ser social, político, estético, moral e ético a partir da percepção do corpo que nos compõe como pessoa humana. Corpo-pessoa-dignidade são elementos que formam nossa unidade. A Educação física atua aí, nesse contexto de formação e descoberta de nós mesmos como ser humano e social. Sem a Educação física, haverá no mínimo, O ABANDONO DOS VALORES E PRÁXIS DE SOCIALIZAÇÃO E CONVIVÊNCIAS APREENDIDAS PELO ESPORTE ORIENTADO.

9 – Quanto a Filosofia e Sociologia: desde 2000, participo de estudos com grupos de professores e alunos de todo o Brasil, de várias Universidades  sobre o papel, o valor, a necessidade e importância da Filosofia e Sociologia para a formação crítica, ética, política, humana, integral dos nossos jovens, até conseguirmos em 2008 aprovar a inclusão obrigatória destes conteúdos no Ensino Médio, pelo Decreto-lei Presidencial nº 11.684, de 2 de junho de 2008. Há vários textos, artigos, estudos e teses sobre este assunto, comprovando que toda vez que há um governo antidemocrático, autoritário, as primeiras disciplinas a serem cortadas do ensino são justamente a Filosofia e a Sociologia. Por tudo que já foi publicado e que está disponível na internet me abdico de fazer aqui a defesa e análise do obvio.

10 - O ESTADOS DEFINEM PARTE DO CURRÍCULO: ao permitir que os Estados definam, escolham grande parte do seus currículos conforme seus interesses, o Governo quebra a homogeneidade e a hegemonia do ensino nacional, criando a heterogeneidade do ensino por Estado. O aluno de uma região poderá não aprender o mesmo que alunos de outras regiões. Estados mais ricos poderão ofertar conteúdos que outros , por economia, não ofertarão. Professores que mudarem de Estado poderão não encontrar trabalho em outros Estados que não ofertem sua disciplina,  o mesmo poderá ocorrer com os alunos , Universidades poderão ou deverão ofertar seus cursos e vestibulares conforme as disciplinas ofertadas pelo Estado a que pertençam não atendendo interessados de outras localidades que não tem determinadas disciplinas. É A LIVRE CONCORRÊNCIA DO ENSINO/APRENDIZADO DA EDUCAÇÃO BÁSICA ENTRE OS ESTADOS.

Por fim, está claro que ao enxugar, excluir ou integrar os conteúdos para que sobre espaço e tempo ao ensino técnico de “qualificação rápida” para o mercado, estará ao mesmo tempo eliminando a abrangência e profundidade do ensino destes mesmos conteúdos, criando assim, a Educação superficial para os alunos da Escola Pública responsável por 86% das matriculas dos jovens brasileiros, a maioria da classe pobre, enquanto na Escola Particular, com toda infraestrutura física e de materiais, os 6 ou 8% dos jovens das classes mais ricas, receberão a Verdadeira Educação, ampla, com profundidade e crítica. Pergunto: qual destes grupos de alunos terá mais chances de ingressar em uma universidade de Medicina, Advocacia, Engenharia para ficar com os mais citados? E os 86% que terão uma formação insuficiente? -  ESTABELECE-SE COM ESTE PLANO A DIVISÃO DE CLASSES NA EDUCAÇÃO. A EDUCAÇÃO DOS RICOS PARA OS CURSOS SUPERIORES E, A DOS POBRES PARA OS CURSOS TÉCNICOS DE RÁPIDA DURAÇÃO, PARA O MERCADO.

O neoliberalismo não opera apenas pelas mãos invisíveis do mercado, opera também com os olhos cegos e os tentáculos famintos de um Leviatã. Não enxerga, por exemplo; que o Ensino Médio é o momento áureo da formação do caráter, da personalidade, dos valores, da visão de mundo, da sensibilidade, da corporeidade, da formação e experiência do ser significante, social, político, cultural, estético, moral e ético... O Ensino Médio não tem a função primeira de formar o adolescente-operário, mas sim, de formar a consciência do eu, da pessoa, do cidadão e do Sujeito.

São estes os aspectos que o Ensino Médio trabalha, ainda que precariamente, por motivos de falta de infraestrutura e valorização dos profissionais da Educação, por parte dos governos. Esta é a verdadeira deficiencia do Ensino Médio que está sendo usada agora como justificativa para " reformar" ou melhor deformar o Ensino Médio priorizando uma  “formação técnica diminuta de nossos adolescentes” para fins mercadológicos. 

Informe-se e participe! Pois, este poderá ser a maior retrocesso social, político e cultural de nossa história recente.

FONTES PARA PESQUISA



Senado: Consulta pública:
https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=126992


MP Nº 746 DE 22/09/2016.
Mudanças na LDB – Veja o antes x Depois da MP











EBC Agência Brasil

Revista Educação

http://www.revistaeducacao.com.br/flexibilizacao-do-ensino-medio-ganha-forca-com-novo-ministerio/
 
https://luizmuller.com/2016/09/22/reforma-no-ensino-medio-e-um-retrocesso-mesmo-com-filosofia-e-sociologia-dizem-professores/




domingo, 28 de agosto de 2016

UM DIAGNÓSTICO DAS DIFICULDADES PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA FILOSOFIA 2015



PESQUISA: “UM DIAGNÓSTICO DAS DIFICULDADES PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA FILOSOFIA.”
- Um diálogo entre o Ensino e o Aprendizado da Filosofia no Nível Médio Público de B.H. - Santos, Westerley A. e Col.

APRESENTAÇÃO: Sérgio Murilo Rodrigues – Professor de Filosofia da PUC Minas e Coordenador da área de Filosofia do PIBID – PUC Minas

Desde o primeiro momento em que o curso de Filosofia da PUC Minas ingressou em 2010, via edital público, no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), a nossa maior preocupação foi com a preparação do futuro professor de Filosofia para a realidade da sala de aula. Essa preocupação era grande, porque a disciplina de Filosofia tinha se tornado  obrigatória no Ensino Médio havia pouco tempo (2008). Na época, não tínhamos muitas informações sobre o trabalho efetivo do professor dentro da sala de aula, da recepção dos alunos à matéria, tínhamos pouco material didático a disposição dos professores, não tínhamos uma ideia precisa de como deveria ser o currículo de Filosofia, de como deveria ser a divisão dos conteúdos nos três anos do Ensino Médio, não tínhamos ainda um bom número de relatos de experiências bem sucedidas. Portanto, sabíamos que teríamos, como uma das nossas tarefas prioritárias, organizar um diagnóstico da situação da Filosofia nas escolas. Assim, pensamos em algumas questões que deveriam nortear nossos trabalhos: Como a filosofia pode contribuir para qualificar a formação intelectual, ética e cidadã das crianças e dos adolescentes? Como a disciplina de Filosofia deve interagir com as outras disciplinas do currículo, a fim de contribuir decisivamente para a interdisciplinaridade no ensino? Quais as formas de inserção escolar que a Filosofia pode assumir? Qual o perfil profissional (real e desejado) dos educadores envolvidos em projetos de ensino da Filosofia nas escolas? Que tipo de formação profissional deve ser oferecida nas instituições formadoras de professores? Ou mais especificamente, que tipo de formação profissional deve ser oferecida aos licenciandos em Filosofia?
Assim, foi com muita satisfação que recebemos a proposta do prof. Westerley Santos, supervisor da área de Filosofia do PIBID-PUC Minas na Escola Estadual Francisco Brant, de trabalhar com seu grupo de alunos da licenciatura para fazer esse levantamento da situação da filosofia na escola: fazer “um diagnóstico das dificuldades para o ensino e aprendizagem da filosofia”. Surge então uma interessante pesquisa-ação com a proposta de estabelecer um diálogo entre o Ensino e o Aprendizado de Filosofia no Nível Médio Público-
            O trabalho do prof. Westerley vinha diretamente ao encontro das nossas mais altas expectativas nas metas que deveríamos alcançar com o PIBID na Filosofia. Foi um trabalho lento, meticuloso e rigoroso, que requeria um cuidado constante. Foram três etapas precedidas de longas discussões, leitura e resenha de bibliografia da área, aplicação de questionários, tabulação e interpretação de dados. Esta pesquisa foi um esforço conjunto da equipe PIBID, com a colaboração de professores e alunos do Ensino Médio de cinco escolas Estaduais de B.H. Com todas as dificuldades inerentes a manutenção da continuidade de uma pesquisa de campo durante dois anos, cada um dos universitários bolsistas do projeto deu a sua contribuição para a realização deste importante trabalho diagnóstico sobre as dificuldades práticas que os professores de Filosofia encontram na realidade da docência nas escolas estaduais públicas.
Mas diante do resultado final não tenho nenhuma dúvida em dizer que valeu muito a pena todo o esforço e trabalho. A pesquisa-ação do prof. Westerley e de sua equipe será um precioso guia de informações para aqueles que estão ingressando agora na carreira docente na área de Filosofia, bem como para todos os estudantes de licenciatura interessados no ensino de Filosofia.
Parabéns prof. Westerley, sua obra, Um diagnóstico das dificuldades para o ensino e aprendizagem da Filosofia, agora disponibilizada para o público em geral, é uma grande contribuição do PIBID Filosofia da PUC Minas para a discussão nacional acerca da formação de professores de Filosofia.

Pesquisa na Íntegra:

ou neste BLOG à Direita, em "PROJETOS NO PIBID/PUC".


sábado, 16 de julho de 2016

FILOSOFIA NA PRÁTICA



RESPONDENDO AS PERGUNTAS MAIS COMUNS SOBRE A FILOSOFIA COMO:
FILOSOFIA SERVE PARA QUÊ?  O QUE EU VOU FAZER COM FILOSOFIA? QUAL A FINALIDADE DA FILOSOFIA? A FILOSOFIA SE APLICA NA PRÁTICA? SEGUE UM EXEMPLO; A MAIOR FILÓSOFA BRASILEIRA, MARILENA CHAUI (TÃO ACUSADA QUANTO SÓCRATES) LEVA A FILOSOFIA ÀS RUAS DA CIDADE DEMOSTRANDO A MISSÃO DO FILÓSOFO(A) E A PRÁTICA DA FILOSOFIA, QUE É JOGAR LUZ SOBRE OS ABIENTES OBSCUROS, DE CONFUSÃO MENTAL SOBRE A REALIDADE QUE ESTAMOS VIVENDO.






UM POUCO DE SÓCRATES PARA MEUS ALUNOS
Filme: Sócrates

O filósofo Sócrates (c. 469-399 a.C.), considerado o patrono da Filosofia, fora contemporâneo e opositor ferrenho dos sofistas, dizendo que eles não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer ideia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade.
Embora reconhecesse que os sofistas transmitiam ensinamentos práticos, Sócrates achava que lhes faltavam a visão interna do que realmente importava: Qual é o sentido da vida? Quais sãos os valores pelos quais os homens devem lutar? Como o homem pode aprimorar seu caráter? Nesse ponto os sofistas fracassaram, dizia Sócrates: eles ensinavam o ambicioso a triunfar na política, mas a oratória e o raciocínio inteligente não instruíam um homem na arte de viver. Segundo ele, os sofistas haviam atacado o antigo sistema de crenças, mas não ofereceram aos individuo nada que o pudesse substituir construtivamente. 
Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates? Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria,  primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo” que estava gravada no pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates.
       Assim, opondo-se ao relativismo dos sofistas, ele sustentava que as pessoas deveriam regular seu comportamento de acordo com valores universais. Sócrates preocupava-se, sobretudo, com a perfeição do caráter de cada homem, com a conquista de uma excelência moral. Sócrates havia ensinado que os modelos universais do certo e justo existem e que são alcançados através do pensamento.
     Para ele, os valores morais não se originavam de um Deus transcendental como acreditavam os hebreus. Eles eram atingidos quando o individuo pautava sua vida por padrões objetivos alcançados por meio de uma reflexão racional, isto é, quando a razão se torna o instrumento formador, orientador e condutor da alma. O vídeo do programa humorista Porta dos Fundos é um exemplo de como a moral é emanada do Divino.
     Para Sócrates, a missão do filósofo é de ajudar as pessoas a descobrirem nela mesma oconhecimento que as conduziriam as virtudes. Ele queria subordinar todas as crenças e comportamentos humanos à clara luz da razão, pretendendo dessa maneira retirar a ética do domínio da autoridade, da tradição, do dogma, da supertição e do mito. Acreditava que a razão era o único guia certo para o problema mais crucial da existência humana – a questão do bem e do mal.
        A pergunta principal de Sócrates, qual é a Essência do Homem? Ele respondia, o homem é a sua alma, alma como razão, eu consciência intelectual e moral o que distingue o homem de outros seres vivos.
Maiêutica
    A vida de Sócrates nos é contada por Xenofonte (em suas Memorabilia) e por Platão, que faz dele o personagem central de seus diálogos, sobretudo Apologia de Sócrates e Fédon. Sócrates era um cidadão comum de Atenas, até o oráculo de Delfos indicar que ele era o homem mais sábio de seu tempo. A partir daí, ele tomou como missão a Maiêutica, que significava a “arte de trazer à luz” (“parto das ideias”), através de longas conversas com interlocutores de todas as classes sociais.
   O método socrático se divide em duas partes: a primeira destrutiva, conhecida como ironia e a segunda construtiva, conhecida como Maiêutica. A primeira elimina falsos saberes e segunda trata-se de um convite para a “busca” do conhecimento.  É conhecido seu famoso método, sua arte de interrogar, sua “maiêutica”, que consiste em forçar o interlocutor a desenvolver seu pensamento sobre uma questão que ele pensa conhecer, para conduzi-lo, de consequência em consequência, a contradizer-se, e, portanto, a confessar que nada sabe.
  Sócrates fazia perguntas sobre as ideias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. “Você sabe o que é isso que você está dizendo?”. “Você diz”, falava Sócrates, “que a coragem é importante, mas: o que é a coragem? Você acredita que a justiça é importante, mas: o que é a justiça?
 Suas perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos,pois, quando tentavam responder ao célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas ideias.  Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, que soubesse as respostas às perguntas, como os sofistas pareciam saber, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: “Eu também não sei, por isso estou perguntando”. Donde a famosa expressão atribuída a ele: “Sei que nada sei”.
  As perguntas realizadas por Sócrates são próprias da dialética socrática, isto é, oexercício de contrapor argumentos contrários. Basicamente a dialética socrática tem três elementos. Tese (Afirmação), Antítese (oposição) e síntese (resultado do raciocínio).     As etapas do saber são: a) ignorar sua ignorância; b) conhecer sua ignorância; c) ignorar seu saber; d) conhecer seu saber. A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia.
  O que procurava Sócrates? Procurava a definição daquilo que uma coisa, uma ideia, um valor é verdadeiramente. Procurava a essência verdadeira da coisa, da ideia, do valor. Procurava o conceito e não a mera opinião que temos de nós mesmos, das coisas, das ideias e dos valores.
 Qual a diferença entre uma opinião e um conceito? A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, mostrando que é a essência universal, intemporal e necessária de alguma coisa. Por isso, Sócrates não perguntava se tal ou qual coisa era bela – pois nossa opinião sobre ela pode variar – e sim: O que é a beleza? Qual é a essência ou o conceito do belo? Do justo? Do amor? Da amizade?
  Sócrates acreditava que todos já nasciam com o conhecimento e que cabia ao filósofo realizar o parto de nascimento. Ele acreditava que só o conhecimento que vem da razão é capaz de discernir do que é “JUSTO, BOM E   CERTO”.
    A única forma de conhecer a verdade é conhecendo a si mesmo. Conheça a ti mesmo. Para Sócrates, só quem conhece a si mesmo, que sabe que não sabe. A grande virtude do homem é saber que não sabe. Só sei que nada sei. Pois sábio é o homem que sabe reconhecer seus limites e imperfeições. Compreender as ilusões das aparências e as efemeridades das paixões, e com razão controlar-se. Só assim poderá agir com justiça e sabedoria.
     Nesse sentido, a maiêutica socrática é a arte de trazer à luz, por meio de perguntas e de respostas, a verdade ou os conhecimentos mais importantes à vida que cada pessoa retém em sua alma. A profissão de ignorância e ironia de Sócrates fazem partes de seu procedimento geral de refutação por meio de perguntas e respostas breves e constituem um meio de reverter o argumento do interlocutor para fazê-lo cair em contradição. A refutação socrática revela a presunção de saber do adversário, pela insuficiência de suas definições.
A Moral Socrática
   A Moral é considerada a parte mais importante da Filosofia socrática. Para Sócrates, devemos pensar bem para viver bem. O meio único de alcançar a felicidade, fim supremo do homem, é a prática da virtude e da moral.
     Para Sócrates, o homem deve ser bom, pois é racional, e quanto maior a racionalidade do homem, maior a sua responsabilidade com o BEM. A verdade, o bem, a justiça, a beleza são virtudes adquiridas pelo homem por meio do ensinamento, do reconhecimento de que se tem muito a aprender. Essas virtudes estão na alma humana e, portanto, mais do que o conhecimento leva à felicidade, ele chega à conclusão de que o homem justo é o que sabe o que é a justiça.
     Sócrates dedicou sua vida à problemática em torno o homem, buscando respostas para a origem da essência humana. Após anos de estudos, Sócrates conclui que o homem é o seu consciente e isso é o que o distingue dos outros animais. O homem é o seu intelecto, seus conceitos éticos, sua personalidade racional e moral, o homem é aquilo que pensa.
A execução de Sócrates:
     Durante muitos anos, Sócrates desafiou os atenienses sem sofrer nenhum dano, porque Atenas era conhecida por todos por sua liberdade de expressão e pensamento. Entretanto, nos temos de incerteza, durante e imediatamente após da Guerra do Peloponeso, Sócrates fez inimigos. Aos 70, foi acusado de corromper a juventude de Atenas e de não acreditar nos deuses da cidade, mas em outras novas divindades. Por trás dessas acusações estava o temor de que Sócrates fosse um desordeiro, um subversivo que ameaçava o Estado ao submeter seus velhos e sagrados valores à crítica do pensamento.
   Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembleia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a suicidar-se.
  Condenado pelo tribunal ateniense, Sócrates foi obrigado a beber cicuta. Tivesse ele tentado abrandar os jurados, provavelmente teria recebido uma sentença mais leve, mas mesmo, sob a ameaça de morte, não quis alterar seus princípios.
   Sócrates não deixou escritas sua filosofia e suas crenças. Podemos construir um relato coerente de sua vida e seus ideais a partir das obras de Platão, seu mais importante discípulo.
Conclusão dos Socráticos ou Antropológicos:
      A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das ideias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas. A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro.
      A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.
Fonte: https://professormiguelluciano.wordpress.com/2014/03/25/periodo-socratico-ou-antropologico-socrates/
Livro Indicado

Olavo de Carvalho

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Sergio Cortella

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