ESCOLA REAL;
UM MODELO A SER DESCONSTRUIDO¹.
Por: Westerley Antônio dos Santos²
¹ Artigo publicado originalmente na Revista do Instituto de Ciências Humanas. v.5 n.5 p 131-138-2010 como anais de palestra proferida pelo Autor na PucMinas no mesmo ano.
O objetivo
deste artigo é apresentar aspectos que compõem a estrutura interna de
funcionamento da escola real, na intenção de provocar uma análise crítica com
vistas à escola ideal. E, demonstrar principalmente aos formandos dos cursos de
licenciatura, um ambiente que talvez, só irão conhecer com anos de convivência
diária na profissão. Em seguida, sinalizar possíveis caminhos para a edificação
da escola ideal, que dependerá da atuação deste novo professor, mas também da
academia que o formou. Tudo isso com o devido cuidado para não quebrar o encantamento
necessário ao exercício de uma das mais nobres atividades humanas; a educação
dos homens.
Palavras chave: Filosofia, Educação; Escola real; Escola ideal; modelo funcional tradicional.
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Um profissional
comprometido com o bem fazer de sua profissão, ao se dirigir a jovens estudantes,
principalmente formandos, para expor suas experiências práticas e reflexivas no
trabalho com a docência, deve se preocupar de imediato com uma questão: até
onde as asperezas da verdade vivida na prática da profissão docente, poderão
provocar o desencantamento daqueles jovens que o ouvem ou lêem? Ante a esta preocupação, em expor a realidade
como provocação, sem no entanto, causar o desencanto dos leitores, todas as
outras preocupações relacionadas a possíveis desaprovações de seus argumentos ou questionamentos sobre seu conteúdo, ou ainda, quanto às omissões e falhas em
seu método, se tornam preocupações menores. De todo modo, é preciso fazer
escolhas.
1 - Análise crítica do modelo funcional tradicional da escola atual.
Mesmo com os esforços crescentes no sentido
de democratizar a escola e transformar a educação brasileira numa prática
humanizadora, a nossa escola ainda se mostra presa em um modelo educacional
tradicional. É um modelo tecnicista e instrumental que entende a educação
meramente como repasse de conteúdos ou informações e o professor; como especialista em um
conteúdo que, investido do poder de seu conhecimento específico e segmentado,
exerce toda a autoridade sobre o aluno, que é visto como uma tábua rasa, sem
história, sem concepções de mundo, sem
expectativas, conhecimentos ou vivencias, uma folha em branco que passará a ser
escrita e a compor-se como a um texto, a partir das lições que ditarmos a ele.
Para constatar estas afirmativas, basta não permitirmos que nosso olhar se
acostume com o que vê todos os dias no fluxo contínuo da escola real, a escola
que temos.
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¹ Palestra proferida na PUC-Minas. A convite do
Instituto de Ciências Humanas no VI
Simpósio. Tema “Formação de Professores
– Formação de Formadores”.
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² Professor de Filosofia, Pesquisador em
Educação.
O modelo funcional tradicional de nossas
escolas é montado e sustentado por uma estrutura piramidal, verticalmente
hierarquizada, com os poderes e autoridades bem definidos e assimilados
culturalmente por todos como o único possível.
No topo da pirâmide escolar, está o poder
de mando e decisão dos Diretores e Inspetores, no meio; a execução submissa dos
funcionários e professores, e na base, os alunos em posição de
obediência. Não é incomum para que esta obediencia submissa se opere, que se use a força de ameaças psicológicas como reprovação, provas, chamadas
de freqüência atrelada à distribuição de pontos como meritocracia, punições registradas em livros
de ocorrências a professores e alunos. É a troca da pedagogia e conscientização pela "disciplina" e "ordem" que sempre vem de modo vertical. O que não confere ao aluno
valores pedagógicos, morais e éticos, necessários à convivência e ao despertar da
consciência do seu agir, mas sim, valores utilitários, técnicos, acríticos de submissão, exigidos por parâmetros puramente
meritocráticos e administrativos com base na aceitação sem crítica de normas e regras muita vezes antipedagógicas ou dissociadas de uma finalidade pedagógica.
Este modelo vivo na escola real apresenta uma práxis
administrativa, política e pedagógica fundada na lógica da exclusão e da submissão. A prática
pedagógica vigente se orienta pela lógica da seleção dos melhores sobre os
piores, aferida pelo método matemático quantitativo da nota. É o núcleo da
pedagogia liberal-tradicional que tem como princípio ideológico a distinção,
classificação e eleição dos melhores e eliminação ou exclusão dos “piores”,
sempre por padrões técnicos, quantitativos e disciplinares herdados de uma
cultura de práticas e modos desenvolvidos pela ideologia positivista de ensino.
Na prática escolar os mantenedores desse
modelo em que o aluno participa apenas com a obediência, não percebem que o
ensino sem a participação do aluno como sujeito, não gera aprendizagem. A
disciplina imposta pela força, em detrimento à consciência dos atos, é, uma
ditadura que impõem o hábito para fabricar corpos adestrados e mentes dóceis; seres
submissos, que ao se rebelarem escolhem normalmente o caminho da violência e
conseqüentemente da evasão escolar ou da indiferença pela escola, professores, aulas, conteúdos, uma não-atenção que é também um tipo de evasão, no caso psicológica ou cognitiva.
Numa tentativa de minimizar os efeitos
perversos desse modelo piramidal de escola, criou-se o colegiado escolar². Nível de poder
deliberativo e consultivo que conta com representantes eleitos dos segmentos:
comunidade, professores, alunos e funcionários. Ocorre que há uma incoerência
marcante nesse sistema. Como pode coexistir um modelo colegiado que pressupõem
decisões democráticas e consensuadas, junto a outro modelo que nega este mesmo
princípio? Não pode! É por isso que o Colegiado Escolar funciona como um
apêndice de comando dentro do modelo tradicional que é mais forte por ser
culturalmente enraizado em nossa mentalidade escolar ditatorial.
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² Nota do autor: A resolução Estadual nº147 de 2000 no seu Art. 34 não impunha presidentes e vice como representantes dos segmentos, ficando a cargo do colegiado escolhe-los entre seus membros. Já uma resolução S/N de 2003, impõe ao colegiado a presidência do diretor da escola.
Pois bem, este formato de estrutura funcional
piramidal em que as escolas se organizam, associado ao conteúdo de práticas
pedagógicas tradicionais, se encontram vivos e atuantes em nossas escolas.
Estão intrinsecamente ligados: a segunda se mantém viva e atuante porque a
primeira lhe garante a base de sustentação política, administrativa, legal e
cultural para que ela se mantenha de pé. É o modelo organizacional imposto pela
sociedade industrial mercadológica que visa capacitar e classificar jovens para
formação de mão-de-obra de baixo custo. O que acabou por fazer da educação uma
espécie de instrumento de seleção pela prática tecnicista voltada para objetivos mercadológicos, de formação de técnicos,
seres funcionais e não, para as finalidades mais humanas, como a formação de
sujeitos e cidadãos conscientes, éticos e livres, capazes de pensar, avaliar, julgar e decidir. A prática pedagógica tradicional
alimenta o mercado e reforça a ideologia Neoliberal
e a doutrina do positivismo e meritocracia, que não
cabe aqui detalhar.
Um
exemplo dessa lógica da pedagogia instrumental podemos encontrar no espírito da
Lei de Diretrizes e Base da Educação de
1971 - LDB nº 5692 -
Lembrando que o Brasil nessa época estava em plena ditadura militar, o AI-5 em
pleno vigor, e o milagre econômico era alardeado pela propaganda oficial do
governo como o grande feito de um pais que optou pela ordem e progresso, mantra
do Positivismo-liberal.
Como
ilustração dessa afirmativa, observe no quadro uma análise comparativa entre a
LDB - 1971 e a LDB de 1996, pós ditadura. Sob um olhar que busca os princípios
ocultos, porém norteadores de cada artigo das duas leis.
Figura-
1
Na análise comparativa entre as duas LDBs (1971 e 96) fica
visível a lógica instrumental e classificatória da educação tradicional
representada pela LDB/71. Tais princípios ainda são amplamente praticados em
nossas escolas, devido talvez, a força da aculturação de décadas destes
princípios, mas, também por terem sido à base da formação acadêmica dos
diversos cursos de licenciatura deste período e outros cursos que autorizavam o
formando a lecionar.
Na prática da escola real ainda hoje, percebe-se
claramente a aplicação destes princípios (LDB/71) quando do resultado da
avaliação das habilidades e competências do aluno. Tomemos os Conselhos de
Classe como exemplo: - uma espécie de tribunal de sentença - que julga o aluno
à revelia, quase sempre arbitrariamente pelo professor.
Os Conselhos demonstram a lógica
classificatória, quantitativa, meritocratica, matemática, a disciplina é vista como obediência. Nestes conselhos, o
aluno perde a condição de pessoa e passa a ser um número na chamada, a qualidade de desenvolvimento humano é mensurada por uma nota no diário e pelo grau de obediência. De Sujeito
passa a Objeto, de ser histórico passa a ser numérico, já condenado previamente pela
nota recebida durante o ano, cujo, principal critério é a obediência passiva.
Com relação à prática seletiva, esta é
facilmente observada no dia a dia da escola. Não é incomum encontrarmos
espalhados pelos corredores, cartazes com o nome do “melhor aluno da turma” ou
eventos de promoção com medalhas, certificados de destaque da turma, do aluno
modelo da série ou da escola. São objetivos e atitudes que denotam uma ação
educacional excludente quase sempre em detrimento à formação para os valores
mais perenes do ser integral, da solidariedade social, do sujeito ético e
consciente, que é a finalidade primeira da educação.
Por tudo, pode-se inferir nestes recortes que tanto a ação
pedagógica tradicional, quanto a estrutura funcional piramidal em que as escolas estão montadas, não permitem (propositalmente) que haja
espaço e oportunidade para que seus
agentes: gestores, professores, funcionários, alunos, pais e comunidade,
reflitam , discutam o problema da escola, dialoguem verdadeiramente sobre o
ensino e a aprendizagem, sobre o papel social da escola e a importância e
necessidade da educação para formação do sujeito crítico para a transformação da sociedade. E menos ainda, não
há o exercício da transformação do modelo tradicional para fazer a discussão
fundamentada sobre o tema e abrir, no conjunto, a possibilidade de fazer a
passagem da escola real para a escola ideal. O que observamos é uma aceitação
sem reflexão crítica da situação atual.
Ora! É preciso repensar a função primeira da
educação. Afinal, ela é um instrumento de manutenção mercadológica, por meio da
qualificação de mão-de-obra jovem e barata para o mercado de trabalho, de
“melhoria” das estatísticas governamentais e da eficiência empresarial para o
enriquecimento de uma classe social, reforçando a desigualdade econômica e social ou um
meio de transformação desta sociedade pela formação humanista dos indivíduos como
princípio da igualdade social?
2 - A passagem da escola real para a escola ideal.
A escola ideal só existirá a partir de uma
reflexão crítica, coletiva, profunda e sistematizada, sobre as estruturas
funcionais da escola que temos com vistas para a escola que queremos. Só a
partir da desconstrução da escola real é que a escola ideal poderá se edificar
de fato. E a desconstrução, deve iniciar-se pela mudança das estruturas funcionais tradicionais que
temos nas nossas escolas,
implementando outra estrutura funcional que propicie uma ação verdadeiramente
democrática e conscientizadora. É essa a urgência! Edificar um modelo capaz de
ao longo do tempo e da mudança das práticas tradicionais da educação atual, ir
aculturando professores, diretores, alunos, pais e todos os entes do processo
educacional, inclusive a academia, à concepção de uma educação, conscientizadora, crítica, democrática, humanizadora do
homem e transformadora da realidade social.
A escola ideal solicita outro modelo
educacional. Estruturado horizontalmente, colegiado e montado em fundamentos
mais democráticos e humanísticos onde o pilar central é formado pela interseção
equilibrada entre as funções políticas, pedagógicas
e educacionais, em sentido amplo, para sustentar uma educação capaz de formar
sujeitos críticos e éticos, seres conscientes de si, do outro e do mundo, capazes de transformar a realidade social a partir de suas práticas como sujeitos e cidadãos.
Aqui vale relembrar os conceitos originais do
que seja política, pedagogia e educação para
que possamos nivelar no mesmo entendimento a nossa reflexão.
A ação Política, diz do modo de bem conduzir a coisa pública. É a arte e a ciência
do bem governar. Habilidade no trato das relações humanas. A política é a
ciência organizadora e conciliadora dos conflitos, gerados pelo confronto entre
as intenções ou interesses: individuais e coletivos, pessoais e institucionais,
legais e morais, éticos e não éticos, justos e injustos. Deste modo, toda e qualquer ação humana é também política, já
que nossas ações são motivadas por um tipo qualquer de interesse ou
intenção. Neste sentido a ação política na escola deveria visar a conciliação entre interesses diversos, desfazer ideologias autoritárias e criar
ambientes de transformação que beneficie o todo e a todos.
Quanto à Pedagogia, o termo associa-se a idéia
de condução, ação de conduzir alguém, vem do grego (pai-a-gogôs) que significa: aquele que conduz a criança à escola, local de formação do ser. É a
ciência que define os “caminhos”, relaciona-se com as metodologias de ensino e aprendisagem sobre todos da formação humana.
Já a Educação, tem o sentido mais amplo. É a prática mais humana, refere-se à
instrução, a formação do ser social, cognitivo, ético, político, crítico, de liberdade e responsabilidade, ser cultural e
biológico, de linguagem, trabalha o despertar das consciências do eu, da pessoa,
do cidadão e do sujeito. A educação é o meio mais elementar de
humanização do homem, através do exercício das intersubjetividades. É o
processo pelo qual o homem se torna sujeito de sua própria história e não
objeto dela. Tem a função de fazer despertar e desenvolver as potencialidades,
habilidades e criticidade humana pelo conhecimento e pelas relações com o outro
e com o mundo prático. Além de mostrar os meios que podem criar uma nova
sociedade. Deste modo, a educação é uma ação mediadora na transformação do
homem e do mundo. A ação educacional é aquela que auxilia o homem a se mover
nessa direção.
Estes pilares deveriam ser a base politico-pedagógica, epistemológica e axiológica de qualquer escola. É na interseção equilibrada entre estes pilares que a escola ideal
se sustenta e a educação humanizadora acontece.
Figura 2
Sim! não há como negar que ao mesmo tempo, a educação deve se preocupar
também com os aspectos qualificativos desse sujeito. Ou seja; deve tratar concomitantemente
de equipá-lo, com as qualificações mínimas necessárias ao enfrentamento dos
desafios do cotidiano, impostos pelo mundo globalizado da pós-modernidade, como o trabalho, mas sem inverter seus valores, sem substituir finalidade da educação por objetivos
mercadológicos.
Todo esforço deve ser no sentido de fazer esta
interseção funcionar em equilíbrio. Para atingir sua finalidade ultima de modo bem definido e claro
a todos os participantes da vida escolar, a escola deve aproximar ao máximo, a
sua prática cotidiana das origens teórico-conceituais da educação humanista,
qualitativa, voltada para a formação integral do ser e, se comprometer com o
desenvolvimento das várias concepções do homem, como: o ser psicológico, o
biológico, a pessoa, o cidadão, o sujeito ético e estético, crítico e
consciente de seu pensar, fazer e agir no mundo.
Entretanto, uma questão nos perturba. Como
realizar a passagem da escola real para a escola ideal? Com o auxilio de todas as áreas do saber mas, sinceramente não vejo alternativa sem o auxílio da Filosofia da Educação.
A educação necessita da investigação, da reflexão, dos conceitos e fundamentos
metodológicos, axiológicos e críticos da Filosofia para determinar seus modos
meios e fins. Cipriano Luckesi nos
elucida bem neste ponto:
“A educação é um típico “que-fazer” humano, ou seja, um tipo de
atividade que se caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma
finalidade a ser atingida. A educação dentro de uma sociedade não se manifesta
como um fim em si mesma, mas sim como um instrumento de manutenção ou
transformação social. Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de conceitos
que fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade dentro da qual ela
está deve possuir alguns valores norteadores de sua prática. Não é nem pode ser
a prática educacional que estabelece os seus fins. Quem o faz é a reflexão
filosófica sobre a educação dentro de uma dada sociedade”.......................
4 LUCKESI, C. Cipriano, Filosofia da Educação. São Paulo, Ed. Cortez, 1994, p.30.
Sem os fundamentos filosóficos para se fazer
realizar, a educação esvazia-se de sentido. E invariavelmente torna-se alvo fácil
de interesses político-ideológicos-autoritários quase sempre mercadológicos ou determinados por um vies de poder raso. A
escola precisa abrir o debate com aqueles que a compõe e em parceria com a
Universidade em busca dos princípios que vão orientar a ação política,
pedagógica e educacional necessárias para fazer a passagem rumo à finalidade
verdadeira da educação. E nesta tarefa que a Filosofia da Educação pode dar um auxílio que não se pode dispensar, pois, ela nos oferece as bases
teóricas, históricas, lógicas, conceituais e críticas mais sólidas para a
edificação da escola ideal.
O governo por sua vez, deve tomar a educação
como valor político, social e universal. E, propiciar ao educador suporte
institucional, material, político, intelectual, financeiro e de bem-estar suficientes para
realizar a passagem.
A Universidade e os cursos de licenciatura não
podem se alijar deste processo. Precisam assumir a responsabilidade que lhes
cabe nesta travessia, a começar por uma maior aproximação do cotidiano prático
das escolas de ensino básico, oferecendo o conhecimento acumulado na academia e
recebendo novos desafios diretamente da realidade das escolas para as salas de
aulas das Universidades.
O Educador e os Gestores escolares devem ter
clareza dos princípios que orientam e que servem de guia para uma pedagogia
humanizadora e formadora do ser integral. Precisam continuar estudando e buscando a aplicação destes princípios na suas práticas didáticas e de Gestão.
Na verdade, não basta ser um bom professor ou gestor para edificar a escola ideal. É preciso que o ser político, o cidadão, o
professor, se manifeste, é preciso que sua atividade
intelectual seja engajada políticamente (no sentido descrito) e socialmente na construção desta escola.
Com estas observações podemos inferir que; a
educação é a ação mais humanizadora do homem, e por isso exige uma escola que
atenda a esta finalidade. E o educador, é o principal agente dessa ação, aquele
que ao praticá-la, se faz dialeticamente Sujeito.
Consciente disso, sua função primeira é então, a de humanizar. Sua prática;
torna-se, portanto, a prática mais humana, e a arte do ensino; necessariamente
deve se converter para o ensino das humanidades. Só assim, escola, educador e aluno estarão
realmente realizando seu princípio, meio e fins de uma escola ideal.
Contudo, todo este esforço não será suficiente
sem a efetiva parceria com a Universidade. A academia precisa se abrir e
aproximar-se da Escola básica, disponibilizando as novas tecnologias de
conhecimento produzidas em seus laboratórios e em contrapartida, devem colher das escolas secundárias, amostras de realidades vividas para
serem utilizadas na formação dos novos professores. Aí sim, a partir dessa
inter-relação, pensarem e realizarem juntas, Escola básica e Universidades a escola ideal e a educação para a
formação, primeiro do homem integral, como sonharam os Gregos.
“Que se destine meu aluno à carreira
militar, à eclesiástica ou à advocacia pouco me importa. Antes da vocação dos pais, a natureza chama-o
para vida humana e viver, é o ofício que lhe quero ensinar. ” Jean-Jacques Rousseau (Emílio).
φ
Referência
Bibliográfica:
ROUSSEAU, J. J, Emílio; ou da Educação. Roberto Leal
Ferreira. São Paulo; Martins Fontes, 1999.
LUCKESI, Cipriano Carlos, Filosofia da Educação. São Paulo;
Cortez, 1995.
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