ϕ WESTERLEY SANTOS - FILOSOFIA - PENSAMENTO CRÍTICO - EDUCAÇÃO - Este é um espaço para fins escolares, uma iniciativa de uso das TICs na educação, como apoio ao aluno,disponibilizando materiais de estudo e aberto à livre manifestação do pensamento Filosófico, com análises críticas e informações sobre diversos temas, com destaque para o tema da Educação e da Filosofia.ϕ
domingo, 19 de abril de 2026
quarta-feira, 26 de março de 2025
SOBRE A PROLIFERAÇÃO DE CÂMERAS DE VIGILÂNCIA NA ESCOLA E PRINCIPALMENTE EM SALAS DE AULAS.
Questão:
“Trata-se de uma área
com prédios, cercada por muros altos, alguns com arames farpados, portões altos
e de ferro, grades nos espaços internos, inclusive nos corredores, vigiada por câmeras
de vídeos, regido
por normas disciplinares que
proíbe a livre circulação dos indivíduos, confinando-os em salas específicas,
sendo vigiados por autoridades e tendo apenas 15 min. por dia para tomar sol”.
Pergunta-se:
Qual das três opções melhor
se enquadra nas características citadas
acima:
a)
Penitenciária.
b)
Quartel.
c)
Escola.
As câmeras são para
vigiar. Vigiar pressupoem desconfiar; desconfiar é duvidar por antecipação da
boa fé da pessoa; (um princío ético e jurídico), desconfiar da boa fé, é
presumir que a pessoa não tem honestidade, retidão, lealdade, valores éticos e
morais. Logo; a premissa para a vigilância é que os vigiados não são probos,
portanto, são suspeitos de improbidades, ´por isso, “precisam” ser vigiados.
Westerley Santos
1-POSICIONAMENTO CRÍTICO-SOCIOLÓGICO SOBRE A QUESTÃO DE CÂMERAS NA ESCOLA E SALA DE AULAS.
Após o fim da Skholé¹
grega até a modernidade, a Escola sempre foi alvo de ataques ferozes dos
ditadores e manipuladores que sempre tentaram controlar o ensino e aprendizagem
escolar, necessário à formação das consciências humanas, social e política dos
nossos jovens. Principalmente os mais desprovidos. Seja por meio dos castigos
físicos aos alunos (séculos XIX e XX), pelo controle exacerbado dos conteúdos,
tempos e espaços escolares, seja pela intimidação e perseguição política
aos professores na ditadura ou pelas normas
disciplinares como “mapas de sala”, e agora, a vigilância eletrônica em
sala de aula, que visa mais adestrar corpos e criar mentes dóceis; seres
submissos, que formar cidadãos conscientes e críticos, como nos diz Foucault em
seu livro: Vigiar e Punir.
“(...) Foucault mostrou
na sua obra sobre “A Sociedade Disciplinar” que a distribuição dos indivíduos no espaço
era orientada pela ideia de se ter cada sujeito em um lugar específico. Tal
procedimento teria a finalidade de evitar a formação de grupos, facilitaria o
controle das frequências e ausências, assim como determinaria a localização
exata de cada um na Instituição. O princípio da ordem, desse modo, estabeleceu
cada sujeito em um lugar, hierarquicamente controlado.
Quanto ao tempo, o filósofo observa
que o controle também garante
a qualidade do tempo utilizado
de modo a não ser desperdiçado
em atividades não úteis à Instituição. Esse controle é garantido por meio da
presença contínua de fiscais e do afastamento de tudo que pode servir de
distração ao vigiado. ” Foucault.
http://www.ibamendes.com/2011/02/foucault-e-deleuze-do-poder-disciplinar.html
Para Michel Foucault, a
escola é uma instituição disciplinar que controla os corpos dos alunos através
de técnicas de vigilância e punição. A escola é a instituição mais abrangente
de controle, pois os alunos permanecem nela desde a infância até a maturidade.
As técnicas disciplinares da escola fazem com que os alunos aceitem o poder de
punir e de serem punidos. A disciplina escolar produz efeitos de poder, como o
autocontrole de gestos e atitudes, através da vigilância. A escola
disciplinadora é caracterizada por: controle rígido e detalhado elogio aos que
se adequam às normas.
Gilles Deleuze amplia os conceitos de “Sociedade Disciplinar” de Foucault e vai ao ponto,
em seus escritos sobre “A
Sociedade De Controle”, ele diz:
“(...) O exercício do
controle, agora aperfeiçoado pelo auxílio da tecnologia e pelo uso de
equipamentos minúsculos, quase imperceptíveis ao olhar humano, (como as câmeras
de vigilância) torna-se habitual no cotidiano das sociedades. O controle acaba
sendo interiorizado pelos indivíduos, como se necessário e absolutamente vital.
É o biopoder que organiza e controla a vida em todos os campos sociais”.
Deleuze.
“Não há mais um espaço restrito para que o poder se faça sentir; pelo contrário, ele se faz presente em todos os lugares. Por conseguinte, é mais perverso, mais controlador, porque se sustenta no aparato das novas tecnologias de informação. O símbolo do controle agora não é mais o panoptico, mas a web, a rede digital de comunicação mundial, que concentra toda a informação dos indivíduos em bancos de dados. O princípio da docilidade continua, no entanto, o mesmo, pois os indivíduos entregam voluntariamente seus dados à vigilância”. Deleuze.
https://razaoinadequada.com/2017/06/11/deleuze-sociedade-de-controle/
https:// http://www.ibamendes.com/2011/02/foucault-e-deleuze-do-poder-disciplinar.html
https://webpages.ciencias.ulisboa.pt/~ommartins/images/hfe/momentos/sociedade%20disciplinar/Sociedade
Ora! É exatamente contra
estas ideias e práticas alienantes e acríticas, de dominação e submissão dos
indivíduos que os Professores e a Escola na sua essência devem se insurgir. E,
é exatamente em favor deste adestramento e controle dos corpos e mentes, que as câmeras
em sala de aula se prestam. Portanto,
não se trata de segurança ou inibição ao tratamento
desrespeitoso e agressivo entre professor e aluno e vice-versa, nem de inibir a
depredação do patrimônio público, e muito menos de evitar a prática de bullying
em sala de aula.
Estes princípios e argumentos usados
para a instalação de câmeras
nas salas de aula são falaciosos. Caso fossem
verdadeiros, estaríamos partindo
da premissa de que a relação pedagógica na Escola é tão deletéria
que a regra é o desrespeito e a violência
entre professor/aluno, por isso a necessidade de câmeras
de vigilância, e isso não é verdade.
Estaríamos
partindo do princípio de que os alunos na sua maioria são depredadores, o que
também não é verdade. A regra factual não é
essa.
E quanto a prática
de bullying, estaríamos assumindo
que os professores são incompetentes e não conseguem reger suas turmas e educar os
alunos, que também não é verdade.
Portanto, se não são estas as verdadeiras razões
para se instalar câmeras em sala de aula. Então quais seriam? Não há outra! Vigiar
e Punir! A quem?
Os professores principalmente. Para que? Controlá-los e dominá-los. As ordens de quem? De uma mentalidade ditatorial e antidemocrática. É o que está no horizonte neste
momento, sem uma discussão ampla em busca do consenso e ao arrepio das
leis.
Não devemos perder de vista
em que contexto histórico- político-social-educacional vivemos.
Estamos numa relação capital
x trabalho, patrão/empregado, onde os trabalhadores (Inclusive da Educação),
historicamente, são desvalorizados, explorados, reprimidos, submetidos a
horários extenuantes e a exigências sem recursos, e agora também, vigiados o tempo todo por camêras.
No período da escravidão, no Brasil, os Senhores de escravos (Patrões), criaram a figura
do “Capitão do Mato”
para vigiar os escravos. Depois, a mesma coisa nas primeiras fábricas
do sec. XIX...com os “Mestres de ofício”,
e os próprios patrões...
Com a divisão do trabalho, a lógica
continuou a mesma até hoje, só que o Capitão
do Mato agora é eletrônico,
os olhos do patrão são agora as câmeras de vigilância. As câmeras
nos locais de trabalho, funcionam
como os olhos atentos
e permanentes do patrão ou representante deste, sobre o
trabalhador, o tempo todo. A desculpa é a segurança!
¹ Skholé: é uma palavra grega que significa
"tempo livre" ou "lazer". É a origem
da palavra "escola".
A educação
na Grécia Antiga era chamada de "Paideia" e tinha como objetivo
formar um homem completo, cuidando de
todos os seus aspectos.
“(...) Embora
não preconize que a Educação,
sozinha, possa transformar a sociedade ela tem o papel de origem
de formar o Homem integral, desenvolvendo suas potencialidades para torna-lo sujeito
de sua própria História e
não objeto dela”. (p.18)
“ A educação é um instrumento de libertação Humana (p. 19) (...) Assim,
a Grécia atingiu
o ideal mais avançado da
educação na antiguidade: a Paidéia, uma educação integral, que consistia na
integração entre cultura e sociedade... Os gregos realizaram a síntese, entre a
educação e a cultura... A educação do homem integral consistia na formação do
corpo pela ginástica, a mente pela filosofia e pelas ciências, e na da moral e
dos sentimentos pela música e pelas artes”. (p.30).- Moacir Gadotti – História
das Ideias Pedagógicas.
2- OS PRINCIPAIS ARGUMENTOS PARA MANIPULAR OS PROFESSORES E CONVENCÊ-LOS A ACEITAÇÃO SERVIL DE CÂMERAS EM SALA DE AULA SÃO, PRINCIPALMENTE:
a-
Questão de Segurança e para o nosso bem:
A argumentação de que se trata de segurança não se justifica, pois, o ladrão,
pula os muros, entra quebrar
as câmeras e roubar, inclusive a própria câmera. Como já aconteceu.
Alguns podem pensar: Mas inibe! É possível, mas não garante
segurança pois, não impede, então é só a
sensação de segurança, por isso é uma falsa ideia de segurança. Além de
possibilitar um distânciamento das autoridades de segurança por consirerarem
que a instituição está assistida. Lembremos os casos recentes de atentados em
Escolas, principalmente nos EUA, foram todos realizados em escola com câmeras. O
mais viável é a segurança física das autoridades especializadas de tempos em
tempos e uma Educação acolhedora e respeitosa com os alunos.
b-
As câmeras são para saber o que os alunos
estão fazendo e nos proteger de algum delito?
Também não se justifica, pois, os alunos são
adolescentes e o que os adolescentes fazem? Fazem coisas de adolescentes e farão escondido
como sempre na história da humanidade. Além do quê, câmeras na Escola e em sala de aula
fere a CF, o ECA e a LDB. E cria um ambiente de vigilância e desconfiança de
todos contra todos, propicio ao “delito” ou ao que a autoridade escolar
entender como delito.
Pensemos: se a Escola
precisa de câmeras para vigiar possíveis delitos de alunos, então, estaremos
partindo do princípio que todos os alunos são potencialmente pequenos
criminosos que precisam de vigilância ostensiva de câmeras em sala de aula, significa
que falhamos como Escola, Educação e Professores. Significa que não há mais
razão de ser do que estamos fazendo como Professores. O que faremos conosco
neste caso? Se for assim; não precisa de câmeras e sim de refazer a escola.
Falhamos!
(Câmeras
na escola, em sala de aula para vigilância quer dizer que todos falhamos a
começar pela Gestão que neste caso está passando um atestado de incompetência
dizendo que não conseguiu fazer da Escola uma Escola e sim um panoptico de
Foucaut).
c-
O argumento de que “não faço nada errado, não tenho que me preocupar com isso” !
Este é um argumento
falacioso pois, seria como dizer: não tenho nada com a guerra porquê
vou me preocupar com as bombas?
Ou, não fiz nada de errado porquê
vou me proteger daquele tiroteio ali?
A questão não é se fazemos ou não algo errado. A questão verdadeira é que, de um modo ou de outro, pelas câmeras, o trabalhador está sendo vigiado e isso em si, já é uma violência psicológica, é ilegal, imoral, antiético e antipedagógico, além de ser um meio de controle e vigilância com fins de punição.
A própria
câmera no local de trabalho sem autorização do trabalhador para filma-lo já e
um procedimento intimidatório, e isso, por si só, já fere sua liberdade
individual, sua privacidade e dignidade (ver C.F.) como pessoa e cidadão, e tudo que advém daí, inclusive de não exposição
de sua imagem e no caso, dos alunos,
fere o ECA e a LDB e a LGPD.
3- A QUESTÃO É OUTRA: CÂMERAS NO AMBIENTE ESCOLAR E PRINCIPALMENTE EM SALA DE AULA É UM ERRO ÉTICO, MORAL, POLÍTICO, SOCIAL, LEGAL E PEDAGÓGICO.
2. 1. É um erro Ético porquê fere os quatro princípios da Ética: é uma violência Psicológica, Física (no caso a privacidade de seu corpo), da Liberdade e da Consciência dos sujeitos do processo. Fere a dignidade da pessoa no seu direito individual de não exposição e vigilância, por intimidar e expor a pessoa sem autorização, caracterizando assim, violência psicológica, moral e contra a liberdade, privacidade e integridade da pessoa humana. (Ver CF e Declaração Universal dos Direitos Humanos), LGPD.
“A boa-fé objetiva é um princípio basilar do direito, segundo o qual as
partes possuem o dever de agir com base em valores éticos e morais da
sociedade. Desse comportamento, decorrem outros deveres anexos, como lealdade,
transparência e colaboração, do que é probo; integridade, honestidade, retidão.
Duvidar da boa-fé de alguém pode significar suspeitar que a pessoa está agindo
de forma desleal ou com má-fé”.
2. E um erro Moral porquê interfere
nos hábitos e costumes, normas e regras de convívio social e profissional
harmonioso e salutar em ambiente em que estas condições determinam o
atingimento da finalidade da Educação. Atinge os direitos individuais/fundamentais
da pessoa e do cidadão, do bem-estar e convivência social no ambiente de
trabalho. (ver LDB E C.F.)
3. É um erro Político porquê é contra
o espírito democrático necessário a um ambiente Escolar, ao convívio social, ao
consenso nas escolhas que determinam nosso modo de convívio e de bem-estar
coletivo, profissional e de cidadão.
Além de ser uma medida de
"segurança" especializada, que no caso seria operacionalizada por
particulares, não especializados em legislações e técnicas de segurança que é
função dos órgãos estatais de segurança.
4. É um erro Legal pois, fere artigos
da ECA, C.F., LDB. da LGPD, da Declaração dos Direitos Universais e outros.
(ver)
5. E um erro Pedagógico porquê fere a
liberdade de cátedra, e a plena condição de liberdade para o ensino e aprendizado,
(conforme C.F. e LDB), uma vez que professores e alunos estão sendo vigiados em
suas atividades pedagógicas. Além de criar um ambiente inibitório para o ensino
e aprendizado nas relações escolares, alunos/alunos, Professores/alunos,
Alunos/escola. Interfere psico-pedagógicamente de modo negativo, nas práticas e
modos de ensino, relação pedagógica e abordagem que necessitam, por natureza
cognitiva, de liberdade e naturalidade de ação para que o ensino e o
aprendizado aconteçam espontaneamente. O que será afetado diretamente com
câmeras dentro de salas de aulas como bem desenvolvido nos artigos abaixo.
Prof.
Westerley Santos
20/03/2025
Acórdãos e Artigos.:
. Câmeras na Escola: Salas de Aula, precisam ser espaços de Confiança.
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/camera-de-vigilancia-em-escolas/207256478.https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2018/09/cameras-na-escola-salas-de-aula- precisam-ser-espacos-de-confianca-
-https://www.jusbrasil.com.br/artigos/camera-de-vigilancia-em-escolas/207256478
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
Horário de Recreio: intervalo ou
Tempo-espaço
sociopedagogico?
As
lições que os escolares aprendem entre sí no pátio do colégio lhes são cem
vezes mais úteis do que tudo o que se lhes diga na classe”. (J.J.Rousseau- Emílio.
p.120).
|
N |
o livro segundo, da belíssima obra “Emílio” ou da Educação, Jean-Jacques Rousseau nos faz este alerta. E está aí um ponto de reflexão para mudança na Escola, o tempo de “recreio” ou “intervalo” para os alunos. E observem que na citação Rousseau não usa o termo recreio ou intervalo.
Este tempo pedagógico chamado de “recreio” ou “intervalo” quase não aparece nas legislações educacionais, é pouco discutido nas reuniões escolares, quase nunca é objeto de reflexão quando se discute o processo de ensino-aprendizagem na escola, a organização dos horários, currículo e projetos pedagógicos. Por quê? Um dos motivos é que o “recreio escolar” é visto apenas como tempo-espaço para recreação, divertimento, brincadeira, descanso, passatempo ou intervalo entre aulas.
Na Escola pública, normalmente o turno da manhã, por exemplo, inicia-se as 7:00h, com cinco aulas de 50 min. Após o terceiro horário (2:30 h depois), há um intervalo de 10 a 15min para o chamado recreio. Neste intervalo de tempo, circulam pelo ambiente escolar de 600 a 700 pessoas em média, entre alunos, professores e funcionários. Lembrando que os prédios das escolas públicas são pequenos e muitos deles, improvisados para o funcionamento da escola, ou seja, não foram arquitetonicamente planejados para a circulação deste contingente. Destaque para as cantinas (quando há uma) que não suportam atender os alunos, por falta de espaço físico ou por insuficiência de funcionários para servir a merenda a todo este contingente, em tempo tão exíguo, situação que gera filas imensas de espera. (Aproximadamente 4 a 5 min de espera). Então, não são mais 15min, agora são 11min.
A mesma situação se vê na tentativa de uso dos banheiros. Na prática, quem vai ao banheiro não merenda ou quem merenda não vai ao banheiro, me disse uma aluna. Isso para cumprir as duas necessidades em 15 ou 11 min, já que haverá mais 1:40 min de aula. Acaba que os alunos são obrigados a participarem de uma verdadeira maratona, de um corre-corre, todos os dias, durante todo o ano letivo. Ao fim, o que observamos? Alunos com fome até as 12:15h ou alunos que não lancham devidamente. E todos sabem o que isso significa para a aprendizagem e para o processo de ensino.
Mas, quero aqui levantar outro aspecto igualmente importante deste modelo de tempos e espaços escolares para responder o por quê, o “recreio” não é objeto de discussão no planejamento da escola e da educação.
O problema é que, gestores e professores, entendem este tempo escolar eminentemente como “intervalo”, “tempo de descanso”, de “recreação”, de “lazer” e não como um tempo pedagógico, de aprendizado.
Tudo bem que para os alunos este tempo escolar tenha esta conotação recreativa, mas, para nós professores, gestores, supervisores, com formação pedagógica, acadêmica e experiência na área educacional, é preciso que ampliemos a nossa compreensão sobre este tempo escolar. O recreio não é apenas um intervalo entre aulas para descanso, lazer ou alimentação. É muito mais que isso!
Este tempo escolar deve ser visto como uma oportunidade ímpar de tempo e espaço para o encontro, o convívio social, a socialização, as trocas e práticas de relacionamentos em grupos, de formação de novos grupos de convivência, conhecimentos e reforço dos laços de amizades e solidariedade entre os alunos.
O Chamado recreio é o espaço-tempo e oportunidade onde e quando na escola, os alunos se encontram com seus pares, trocam subjetividades , exercitam sua juventude e se constroem como seres sociais. É o momento que o aluno tem para si na escola, para exercitar o bom e saudável bate-papo com o outro, seu igual. Para as primeiras experiências do sentimento de aproximação com o outro, o enamorar, o flerte, o encantamento da primeira paixão adolescente, muitas vezes inesquecível! É também quando descobre que não está só com suas alegrias e angústias adolescentes pois, há no outro, seu par, um igual que também vive problemas parecidos aos seus e muitas vezes é o que basta para que se apazigue diante das agruras da vida adolescente.
O recreio é onde os alunos se encontram e praticam a relação presencial, afetiva, é a oportunidade esperada, as vezes única, durante o turno ou até dias para que discutam suas questões, seus problemas, suas expectativas, seus sonhos. É no recreio que os alunos podem exercitar a afetividade, a sociabilidade com os seus iguais e aprenderem a conviver e respeitar os diferentes.
É neste tempo-espaço escolar que o aluno melhor enxerga sua escola, com um outro olhar, livre, contemplativo, para além das paredes das salas de aula, e se, admirar com o que vê e descobre no espaço escolar.- É bem provável que nasça ai um sentimento de pertencimento e cuidado com a escola ou de crítica. É o momento que ele tem para observar uma vez, tudo que tem visto todos os dias.
Diante destas questões, penso ser pertinente nos perguntarmos: será que ao limitarmos estas manifestações naturais e necessárias do ser humano, com um tempo exíguo e espaço vigilante de 15min, não estaríamos antipedagogicamente, incentivando os encontros frios e distantes nas redes digitais? Inclusive durantes as aulas? Será que ao inibirmos e limitarmos tanto o tempo dos alunos para se relacionarem e exercitarem o diálogo entre si, não estaríamos inversamente incentivando a omissão da fala em sala de aula, e o posicionamento em questões da vida? A desídia estudantil? Será que ao minimizarmos esta prática de socialização e descobertas de si, com o outro, não estaríamos inversamente propiciando um ambiente de intolerância com as diferenças e agravando o chamado mal do século?
É no recreio escolar que o adolescente pode simplesmente ser e fazer as coisas que fazem os adolescentes. Sem que estejam a serviço da “ditadura” dos conteúdos, dos métodos disciplinares de cada professor, sob o doutrinamento de seus corpos e movimentos ditados pelos mapas de sala, sob a pressão das provas de competências ou sob a atenção vigilante de um adulto que exige atenção, postura e silêncio, comportamentos muitas vezes próprios do mundo adulto?
É preciso entender que o “intervalo de recreio” é também um tempo sociopedagogico, de aprendizagem, não dos conteúdos das matérias, mas dos conteúdos de vida por meio do relacionamento com seus pares. Por isso, um dos pontos que devemos mudar nas escolas públicas é o tempo de “intervalo/recreio”, passando dos insuficientes 15min. para no mínimo 25 ou 30min, para começo.
Isso é necessário, mas não é suficiente. Precisamos mudar nossa mentalidade, nossa concepção como educadores, sobre este tempo escolar, e entendermos o recreio como espaço e tempo sociopedagógico, um tempo de convivência humana e aprendizagem da socialização e convivência. Esta mudança de mentalidade é fundamental para evitarmos argumentos contrários do tipo: “ se aumentarmos o tempo de recreio o turno terminará mais tarde” ou “se aumentarmos o horário do recreio estaremos tirando o tempo de aula” ou “ se aumentarmos o tempo de recreio estaremos descumprindo ou penalizando a carga horária do estudante”. Não é verdade! O que está errado é o paradigma, a mentalidade técnico-científica-conteúdista de educação que não insere o recreio no tempo de ensino-aprendizagem. O recreio sociopedagogicamente é parte da carga horária do aluno, como vimos. E por isso, deve ser entendido como-espaço de aprendizagem escolar.
Se entendermos isso, aí sim, estaremos garantindo e respeitando o tempo de aprendizagem que inclui a prática do convívio social, como elemento imprescindível à socialização/humanização dos nossos alunos, e o recreio deixa de ser intervalo entre aulas, uma folga na carga horária escolar e passa a ser o que deve ser, sem precisar terminar o turno mais tarde caso se estenda o horário do recreio, sem temer “diminuição” da chamada carga horária do aluno. - O homem é um ser político e social. (Aristóteles)
E, acaso entendermos isso, teremos adquirido então, amplitude e profundidade de percepção e compreensão da finalidade última do processo educacional que é a humanização do ser social pelo exercício da prática de socialização e convívio. E assim, poderíamos até irmos além, construirmos até dois momentos de socialização inclusive. Um depois do segundo horário (8:40) com lanche, já que vários alunos (e professores) chegam à escola sem o café da manhã. E e outro, depois do quarto horário com alimentação reforçada, já que a maioria ficará na escola até a tarde.
É certo que deste modo teríamos alunos (e professores) mais descansados, alertas, revitalizados para as aulas seguintes o que certamente, produziria melhores rendimentos e relacionamentos educacionais, tirando a escola da letargia terminal a que se encontra e criando um espaço escolar vivo, pulsante e agradável de se estar e conviver como deveria ser. O recreio é um espaço pedagógico de ensino e aprendizado do e entre os alunos do modo deles, é quando os jovens execem sua juventude, tudo que estamos tirando deles na escola tradicional e repressora.
A
Escola precisa repensar suas práticas se quiser continuar existindo em sua
finalidade!
Prof.
Westerley
Maio/2020
.........................................................................
P.S. Não é incomum,
alunos reclamarem logo cedo de estarem na escola, dizendo que queriam estar em
casa ou fazendo outras coisas. Muitas vezes pergunto: O que te faz vir à
escola? Cem por cento das vezes a resposta é: Porque meus pais me obrigam ou para encontrar meus amigos! Nunca ouvi;
para aprender tal matéria. (Inclusive a minha).
sábado, 10 de junho de 2023
PENSAMENTO, RAZÃO, INTELIGÊNCIA, MENTE E CONSCIÊNCIA. -- O QUE SÃO E QUAL A DIFERENÇA?
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De tempos em
tempos, ao abordar em aula temas como: pensamento
e razão, percebo imediatamente um incômodo no gestual dos alunos que não
raramente, se transforma em questionamentos, refutações e discussões sobre o
que são e como se dão estes fenômenos intelectivos e, imediatamente conceitos
semelhantes surgem como pontos de conflito e confusão conceitual. E a dúvida
mais comum é; afinal de contas, o que são e qual a distinção entre: Inteligência, razão, pensamento, mente e
consciência? E, como estas coisas surgem? Pois bem!
Este é um
texto inicial de apoio, dividido em cinco partes curtas, abordando cada uma, a
um tema e destinado a quem deseja investigar o assunto mais profundamente.
Elaborado a partir das explicações definidas pela Filosofia. As explicações
científicas, biológicas, da Neurociência ou da Psicologia para o assunto, serão
aqui citadas perifericamente, já que o foco é a explicação Filosófica.
1- O QUE É O
PENSAMENTO?
TERMOS VIZINHOS:
Pensamento liga-se a: Imagem, ideia,criar,criatividade,memória,lembrança, Razão.


