terça-feira, 10 de abril de 2012



FILOSOFIA PARA FERNANDA
        II

A LAGARTA, O CASULO E A BORBOLETA

A Dialética é um conceito filosófico usado para explicar o movimento de evolução. É o processo em si mesmo, que define a ascensão e transformação das coisas da natureza, do pensamento e da própria vida.

O processo Dialético é interessante porque ele parte do princípio de que, cada coisa traz em si o germe de sua própria destruição, que se dá em três fases conseqüentes e obrigatoriamente ascendentes. A primeira fase é a Tese, aquilo que está posto, dado, a coisa em si.

Uma semente, por exemplo: é o posto, o dado, e há nela o germe de sua própria destruição, que é a árvore. A árvore para existir precisa necessariamente destruir, negar a semente. Se a semente é a Tese, a árvore é sua Antítese. Esta é a segunda fase do processo Dialético.

Mas a coisa não termina aí. Do confronto entre estas duas fases surge uma terceira que é a Síntese. A Síntese é o fruto; não é a semente, mas traz em si algo dela. Também não é a árvore, mas igualmente preserva em si algo dela. A Síntese é o resultado da evolução deste processo de transformação: semente-árvore-fruto.

O mesmo ocorre com o pensamento. Para cada idéia, conceito, definição, ou conclusão, há sua negação e, a reflexão, análise, ou crítica deste conflito, entre tese e antítese, gera inevitavelmente uma nova conclusão que é a síntese. Como o ovo, que traz em si a gema, que para existir precisa negá-lo e, deste confronto, surge o pintinho.

Também é assim com a nossa vida, que parece seguir as fases Dialéticas, como a lagarta, o casulo e a borboleta.

Na infância somos como uma lagarta, engatinhando curiosa na descoberta do mundo. Na adolescência nos fechamos em nós mesmos, em nosso próprio mundo, como em um casulo. Construímos uma espécie de caixa acústica em que não queremos ouvir, ver ou falar com ninguém. Mas não adianta...

As asas crescem e a borboleta quer sair ao mundo e alçar vôos por entre as plantas. É da natureza da borboleta, como se soubesse que seu destino é borboletear por entre os jardins, embelezando a natureza com a graça e leveza do seu bater de asas, como flores que voam. É a fase adulta, a Síntese da vida! Negar esta fase é morrer asfixiado, preso para sempre no casulo de si mesmo com medo de crescer e se transformar em uma bela borboleta.

04/2012

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