segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Carta de um colega professor aos novos designados

Caríssimos colegas, Professores designados;
Gostaria de pedir suas reflexões e compreensão sobre o que vou expor.
Nós professores do Estado há mais de 14 anos estamos sofrendo um verdadeiro sucateamento da profissão por parte dos governos deste período. Há mais de 10 anos não temos aumento real de salário. Chegamos ao absurdo de ganharmos atualmente um salário base de (R$ 369,00) não dá nem para pagar a passagem. Os professores sobrevivem de “bicos” extras, vendas de bugigangas e de empréstimos de familiares. Há professores que moram com familiares, pois já perderam suas casas, outros venderam seus móveis para ir trabalhar, comer e pagar divida. Esta é nossa realidade.

Esta luta é por nosso sustento, mas também pela dignidade de nossa profissão. Com este salário de fome que o governo nos paga, somos obrigados a dar retorno de qualidade para o Estado, as famílias dos alunos, convivendo com agressões, violência na escola, ameaças, drogas, gangues e todo tipo de situações de risco, sem falar na falta de condição material de trabalho.

Esta greve é uma espécie de CHEGA!!! Que estamos dando ao governo é um grito de socorro dos professores que estão adoecendo e desistindo de seus sonhos, professores que dedicam dias e noites para a educação, dias e noites de estudos em licenciatura, em pedagogia para oferecer aos seus alunos o melhor d si, uma docência de qualidade na esperança de um dia quem sabe, construirmos uma sociedade, um pais, mais justo, mais ético, com cidadãos mais esclarecidos, politizados e solidários socialmente!!! E estamos sendo apoiados pelos alunos, pais, senadores, deputados, profissionais de outras áreas.

O governo de Minas é contra os professores, um dos motivos foi pelo apoio geral que demos a candidatura da presidenta Dilma por ter acordado investir na educação. E uma das estratégias do governo de Minas é jogar professores contra professores, promover o atrito, a discórdia entre nós mesmos e de certo modo, está conseguindo. As designações de agora tem este sentido estratégico.


O governo sabe que nós, professores, estamos à beira da miséria e conta com isso para nos usar contra nós mesmos a troco de migalhas, ele faz isso sempre, conta com a falta de solidariedade de classe, cria e incentiva o individualismo, precariza nossa vida por anos, até nos coloca na condição de desesperados, contando que venderemos até nossa alma a ponto de nos colocar uns contra os outros. É isso que o governo faz.


Não há real interesse no aluno, pois o ano todo eles e nós somos abandonados pelo governo a própria sorte em escolas sucateadas, não há interesse numa educação de qualidade, em professores mais bem preparados, pois, durante anos não há investimento em salários e nas condições de trabalho. Há sim o interesse covarde em nos aviltar, em fazer de cada um de nós e dos que foram contratados agora, de coisas, objetos de manobra estratégica, insumos a ser descartado o mais brevemente possível. Se não fosse, já teria atendido nossa reivindicação que é legítima, necessária e urgente.
Entendo que todos precisam trabalhar. Tenha certeza que este é meu caso também, e minha situação é gravíssima, mas há outros meios, outros caminhos que valorizam nossa pessoa, nossa profissão, nosso ideal e que não mate nossos sonhos.


Entendo que só somos merecedores do respeito, da admiração, dos valores que nos tornam mais humanos perante a nós mesmos, a nossos filhos, familiares, amigos e à sociedade, se, agirmos sob o princípio da ética e da moral, sem abrir mão nunca da nossa dignidade humana. Em primeira instância é assim que devemos nos apresentar aos nossos alunos e é isso que eles esperam de cada um de nós.


Foi isso que a Filosofia me ensinou e por isso sou professor de Filosofia.
Gostaria que refletisse sobre isso e que juntasse a nós nesta luta que também é sua direta ou indiretamente.
Abraço!
Belo Horizonte, 20/Ago/2011
Prof. Westerley

Um comentário:

  1. Caríssimo Westerley
    Palavras de grande sabedoria e que revelam a nossa sofrida realidade como profissionais da educação.
    Força na Luta e nas nossas discussões filosóficas
    Abração
    David - prof. Química da EE Prof. Francisco Brant

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