quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SOBRE O PROBLEMA DOS "SUSBSTITUTOS" NAS ESCOLAS DE MG

-TEXTO PARA DISCUSSÃO -





- SOBRE O PROBLEMA DOS  “SUBSTITUTOS” NAS ESCOLAS DE MINAS GERAIS -

A intenção deste contato é abrir uma discussão sobre este problema, dividir nossas preocupações, socializar os motivos e propor ações coletivas principalmente quanto aos Substitutos que  não são professores licenciados.

Pelo visto o Governo vai nos empurrar goela abaixo esta história de “substituto” (ver texto do sindicato abaixo). Precisamos entender bem a estratégia do governo e antecipar nossa ação, em sintonia com o andamento do movimento dos Professores.

Inicialmente precisamos ter em mente que temos poderes nas mãos e dentro da escola, sempre com o cuidado para não alimentarmos o ódio contra ninguém, nossa luta não é pessoal, é contra as medidas do governo e a favor dos nossos direitos, dignidade, valorização profissional e qualificação.

Uma avaliação particular: para mim, está claro que o Governo está promovendo a desqualificação do professor, ao admitir não-professores assumirem sala de aula (além dos problemas de ordem pessoal que já começaram a acontecer quando se coloca estranhos ao meio, não qualificados, em contato com adolescentes. Já está havendo denúncias de coisas graves que estão ocorrendo dentro e fora das escolas com alguns destes substitutos não-professores).

Outra questão é a baixa qualidade no ensino que será acentuada com substitutos não qualificados e não-professores, e as conseqüências recairão sobre nós. Há a questão ética quando profissionais de outras áreas atuam como professores que estão em luta por melhoria profissional, há também a possibilidade do confronto explícito e velado na convivência com os  “substitutos”, imposta pelo Governo.
Como exemplo para comparação: se  alguém de outra área, mesmo que tenha conhecimento, atender  pacientes em um Hospital , não sendo  Médico habilitado, este alguém é preso imediatamente!

Se alguém com carrinho, catar papel nas ruas do centro de BH,  a  Associação dos Catadores de Papel e Papelão e Material Reaproveitável,  não permite.  Há todo um processo que inviabiliza aventureiros a ocuparem o espaço dos catadores.

O mesmo ocorre com os Advogados, Policiais, Engenheiros, e um sem-número de outros profissionais.  Exceto na educação, onde o Governo permite e estimula via (CAT) qualquer um não habilitado ou não-professor  substituir o professor.
Mas temos poderes para mudar isso. O que fazer?

Algumas  sugestões:

1-  Os  Professores se reunirem com a finalidade de discutir o problema, entender as estratégias ocultas do governo para a desqualificação do professor e elaborar medidas antecipatórias no sentido de  resolver o problema, principalmente  quanto aos  substitutos não-professores.


2- Cada professor promover em sua sala de aula, em cada turma de cada série  um círculo de discussão esclarecendo aos alunos o que o Governo está fazendo com a qualidade da educação e a questão de NÃO PROFESSORES para dar aulas. Mostrar as conseqüências para a formação e aprendizagem do aluno.  Além dos riscos e problemas que podem surgir.


3- Solicitar do colegiado e supervisão, reunião com os pais ou comunicado dos professores aos pais, para esclarece-los sobre a situação provocada pelo governo afetando a aprendizagem dos seus filhos e ATENÇÃO! Eximindo, isentando a nossa responsabilidade sobre qualquer problema proveniente desta situação.


4 – Caso haja clima, reunir professores e “substitutos” e fazer a discussão com eles sobre os problemas que estão causando para nossa luta e para a educação. No sentido de chamar a consciência deles para o problema.


5 – Encaminhar para sindicato sugestões e solicitações de providencias inclusive judiciais contra o Governo e a todos orgãos e entidades competentes  para remover esta situação.
 Entre em “comentários” e  envie suas sugestões, idéias, críticas, observações na discussão deste texto no blog abaixo.
Grato!

Prof. Westerley

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Postagem do Sind-UTE

terça-feira, 4 de outubro de 2011 - Postado por Beatriz Cerqueira às 00:50

"Danos irreparáveis"


Por 112 dias toda a sociedade nos ouviu reivindicar um direito: o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional. Sempre argumentamos que uma remuneração digna impactaria diretamente na qualidade de ensino.

Após a reunião realizada nesta segunda-feira, não vou começar falando sobre o Piso. Quero falar da questão pedagógica porque ela refletirá melhor o que está acontecendo.

A categoria retornou à escola, após 112 dias de greve e encontrou pessoas, em sua maioria sem formação, realizando a sua substituição. Mesmo com a suspensão da greve, o Governo manteve os substitutos que serão remunerados com dinheiro público, mesmo sem ter função na escola, até dezembro de 2011. A Secretaria de Educação afirma que a orientação é para ajudarem em aulas de reforço. Mas estas pessoas estão na escola assistindo televisão, acessando sites, conversando, lendo jornal...

Quantas vezes discutimos a necessidade de ampliar o quadro da escola e o Governo alegando dificuldades financeiras não aceitou? Quantas vezes quisemos discutir a situação dos servidores em ajustamento funcional em que a Secretaria de Educação estava impondo funções além da sua restrição laboral e fomos ignorados? Quantos projetos a escola elaborou que dependiam de aumento do coletivo da escola e não foi autorizado? Quantas licenças médicas sem substituição por ausência de autorização da SEE ocorreram este ano?

É possível uma pessoa que não é professor, realizar um diagnóstico das dificuldades de aprendizagem e atuar no reforço do aprendizado sem planejar, sem interagir com o professor responsável pela disciplina, sem conhecer o projeto político pedagógico da escola?

Neste momento, as aberrações existentes na rede estadual demonstram que não há preocupação com a qualidade de ensino, porque em Minas Gerais não há projeto pedagógico, os profissionais da educação não são respeitados no seu cotidiano escolar.

Por quanto tempo os professores continuarão trabalhando em sala de aula uma jornada superior ao que determina a Lei Federal 11.738/08?

São estas práticas que trazem danos irreparáveis aos alunos da rede estadual?

Durante a greve a Secretaria de Estado da Educação emitiu orientações, resoluções e até apostila de perguntas e respostas sobre calendário de reposição. O ojetivo não foi preservar o direito do aluno mas tentar acabar com a greve. Um calendário de reposição só funciona quando ele é pactuado com as partes, inclusive com a participação de pais e alunos, o que não aconteceu. Ignorando a realidade, a decisão do calendário foi apenas da Secretaria. O autoritarismo com que tem sido tratada esta questão revela que novamente não há preocupação com o aluno, apenas um revanchismo para tentar punir uma categoria que se organizou. Não vai dar certo. Não há docilidade e pacificação no interior da escola mas muita indignação com tanto desrespeito.

A reunião desta segunda-feira

A reunião aconteceu no Gabinete do Secretário de Governo, na Cidade Administrativa. Participaram todos os deputados da comissão, as representantes do Sind-UTE e os Secretários de Estado de Governo Danilo de Castro, de Planejamento e Gestão Renata Vilena, de Educação Ana Lucia Gazola.

A pauta de reunião que seria trabalhada foi a apresentada na quinta-feira. Começamos pelas questões relacionadas à vida funcional: a) a manutenção do pagamento nos próximos dois meses (outubro e novembro) e folha suplementar do que já foi cortado e calendário de reposição, b) retorno das publicações de férias-prêmio independente do servidor ter feito a greve, c) não transformação da falta-greve em falta comum para o caso do servidor não realizar a reposição uma vez que após o corte ele não está obrigado a repor, d) proibição do designado que fez a greve de concorrer às novas designações; e) suspensão das penalidades para diretores e vice diretores. Questionamos ainda a manutenção dos substitutos.

Discutimos e argumentamos cada ponto. O governo avaliará e dará retorno destas demandas até quinta-feira, dia 06/10.

A questão salarial será tratada no dia 10/10, data em que ficou agendada a próxima reunião. O Sindicato avaliou que esta data ficou muito distante e propusemos que a próxima reunião acontecesse nesta terça-feira, dia 04/10, mas os representantes do governo não tinham agenda.

O sindicato já elaborou estudos relacionados ao Orçamento do Estado, a execução do orçamento e folha de pagmento.

Quanto a data de janeiro de 2012 para pagamento do Piso Salarial é importante lembrar que os impactos financeiros seriam a partir de 2012, o que não nos impede de discutir qualquer retroativo. Outro aspecto importante é a decisão do STF a respeito dos embargos de declaração na ADI do Piso. É importante que tenhamos esta decisão antes de fecharmos qualquer acordo relacionado ao Piso, pois poderemos abrir mão antecipadamente de algo que a decisão nos daria.

19 comentários:

  1. Realmente vivi na pele como é estar a mais de 3 meses sem aula! Vejo que a categoria batalhou muito pra conquistar seus ideais e direitos decretados! E que tudo isso tenha um bom retorno, por que passar pelo que vocês passaram, é muito injusto.

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  2. Anônimo:
    Obrigado pelo seu comentário. São manifestações como estas que nos confortam!

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  3. entendo a sua luta,mas isso não justifica a falta de educação com os substitutos que nos ajudou muito.vocês esqueceram que havia o enem ,que para muitos alunos é muito importante.

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  4. Anônimo:
    Obrigado por entender nossa luta! é uma luta pela qualidade da Educação para todos principalmente para aqueles que são excluidos de uma escola de qualidade, não é só por salário. Só que isso não passa na TV.

    Quanto ao Enem, é mais uma enganação sobre o aluno pois para ajudar no enem o professor precisa fazer cursos sobre o enem e não só falar do assunto ou ler textos. Outro aspécto: o Ensino médio não é cusinho preparatório para o Enem, este é uma avaliação. Só existe cursinho justamente devido a baixa qualidade do E. Médio que é justamente devido a desvalorizaçãop do professor e dos recursos para as escolas e alunos. Justamente porque lutamos e os Substitutos atrapalharam. Será que estão mesmo ajudando?

    Mas respeitosua opinião. Obrigado!

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  5. me desculpa suas palavras foram muito significativas e correta.
    estou envergonhado do que falei perdão.

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  6. o professor deveria ter o melhor salário do brasil,ele que ensinam na formação de todas as profissões.

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  7. vocês são guerreiros!!!!!!!!

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  8. Anônimo:
    Que isso! não precisa se envergonhar. É que a midia e governos nos enganam com falsas informações o tempo todo. Acaba que só quem vive por dentro ad situação sabe das verdades!
    Estes espaços da Internet são bons justamente para conhecermos a realidade.
    Fique tranquilo no seu lugar eu também pensaria do mesmo jeito!

    Continue enviando seus comentários. ok?

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  9. Aluno Estadual Central!26 de outubro de 2011 15:48

    Realmente o que fazem da educacao no Brasil e uma falta de respeito tanto ao professor como para o aluno, tive greve durante um mes esse ano, o que foi extremamente prejudicial para a preparacao para o ENEM, mas compreendo a causa!
    Concordo tambem sobre os substitutos que ainda vao a escola para ficar atoa e receber, enquanto voces lutam.
    Uma atitude mercenaria para quem se diz educador!

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  10. Até quando os nosso governadores irão continuar dando as costa para a educação, a base para a vida? Será que a Copa é mais importante que educação? Eu como aluna do terceiro ano, no começo me senti prejudicada no, mas logo depois percebi que os professores estão Certissimos, tem que lutar por melhorias siim, pois trabalhar com essa miseria é realmente complicado. Minha mãe tambem é profossora, e sei que vocs não querem nada a mais do que previsto por lei. Parabéns a todos !
    Ana Carolina
    Estadual Central (104 M)

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  11. Realmente, o que foi passado pelos professores e pelos alunos, foi um total desrespeito com ambas as partes, realmente professores BEM GRADUADOS não podem receber uns salários tão baixos e merecem uma boa remuneração.

    Mas como diferenciar os realmente bons professores dos que não se importam com a educação dos alunos, mas sim estão apenas utilizando aquele emprego como "elevadores" para tentar algo maior posteriormente.
    Não há possibilidade de o governo controlar isso e pagar altos salários para "pseudo-professores" entrarem em sala de aula e não acrescentar nada ao aluno, está totalmente errado.

    Então para começar, deve-se extinguir os péssimos professores das salas de aulas, ai sim pensar em aumento salarial.

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  12. Olá, Paulo!
    Minha opinião é: há no fundo da motivação de quem escolhe esta profissão, assim como a de Médico, Enfermeiro, Bombeiro e outras, um sentido humanitário, uma atenção ao outro e a sociedade em geral. Eu chamo de "princípio inato social" ou idealismo inato social. Por isso não creio que este que escolheu conscientemente uma destas profissões, a escolheu para fins pessoais ou instrumentais como "elevadores" etc... Mas há sim aqueles que não tem a habilidade necessária como em qualquer profissão.
    Como controlar isso? Um modo seria, após dar todas as condições de trabalho nas escolas e salariais aos professores,melhorar a qualidade dos cursos de formação e a formação continuada do professor, realizar avaliações periódicas sobre vários aspectos e critérios necessários para ser um bom professor.Avaliar, assim como o MEC avalia os cursos e Universidades.
    Abraço!

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  13. Prof. Westerley,

    Parabenizo com o texto acima,e pelo blog.Eu como aluno,não deixei de apoair a greve,apesar de não ter comparecido em nem uma reunião,manifestão,encontro e etc.Mas a todo tempo sempre torcendo pela vitória da categoria. Prof. Westerley lendo o texto o texto “SOBRE O PROBLEMA DOS “SUBSTITUTOS” NAS ESCOLAS DE MINAS GERAIS” ,também achei um absurdo,uma falta de respeito com os professores,quando o governo resolveu fazer esta contratação de professores substitutos,vocês que afinal estavam apenas lutando por um direitos que esta garantido por lei.Mas convivendo com a presença destes substitutos em sala de aula,não concordei com a parte do texto em que diz: “...a baixa qualidade no ensino que será acentuada com substitutos não qualificados e não-professores”,reconheço sim que houveram professores desqualificados e despreparados para assumirem salas de aulas no cardo de professores,mas também houverm muitos substitutos que se dependesse de mim estaria ate hoje assumindo o cargo de alguns professores,pela sua capacidade,pelo seu modo de lecionar,de tartar os alunos,etc.Não concordo da forma em que eles entraram,mas generalizar, e falar que professores não formados não poderiam dar aulas de qualidade eu tenho que discorda.Fora isto concordo plenamente com o que foi dito,e não posso deixar de parabenizar pela vitória conquistado.

    Abraços
    Diego Mendes

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  14. Olá, Diego!
    Primeiro quero parabenizá-lo por ler e indagar sobre o que leu. Isso demonstra o princípio da crítica,da reflexão, da análise. Quanto a parte que você destacou discordandO, não quero rebatê-lo mas, para ser professor não basta dar aulas é preciso muito mais. Por exemplo: formação em psicopedagoia, didática, políticas educacionais, planejamento de conteúdos e aulas,entendimento do processo psiquico de ensino/aprendizagem conforme o desenvolvimento intelectual etário dos grupos de alunos etc...coisa que dá a qualidade na educação e que um NÃO-PROFESSOR que não estudou isso, não sabe!Um outro exemplo: para ser professor e ensinar corretamente precisa saber de intersubjetividade ou seja como se dá o conhecimento e aprendizagem dentro de que tipo de abordagem pessoal que o professor deve adotar com o aluno.E assim por diante. É uma ciência, responsável pela formação da consciência e conhecimento de uma pessoa por isso não pode ser vista como "bico" ou improviso.

    Abraço!

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  15. Os professores dizem estar interessado na melhoria da educação de Ensino Médio antes da luta por melhores salários. Por isso devem buscar apoio nos mais interessados nessas melhorias, que são os alunos.

    Uma manifestação que contou com a adesão de boa parte dos professores já se mostrou significativa nessa luta. Uma que conte com o apoio em massa dos alunos, que são os maiores interessados, teria uma força ainda maior e com certeza teria resultados mais concretos.

    Então o que deveria ser feito é: divulgação aos alunos, de forma clara, as reais intenções do governo, que não é a boa educação como prioridade, incentivando o aluno a participar, dando maior força a greve.

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  16. Olá,Magno!
    Concordo plenamente com vc. A luta é de todos e para todos. Eu faço isso sempre que posso, com cuidado para não parecer manipulação. Mas a consciência política da sociedade, alunos, alguns professores, pais etc. Ainda é baixa. Veja o exemplo aquí nestes posts, só alguns alunos e de uma escola se manifesta. Já no Chile??
    Abraço!!

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  17. Realmente, o que foi passado pelos professores e pelos alunos, foi um total desrespeito com ambas as partes, realmente professores BEM GRADUADOS não podem receber uns salários tão baixos e merecem uma boa remuneração.

    Até quando os nosso governadores irão continuar dando as costa para a educação, a base para a vida? Será que a Copa é mais importante que educação?

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  18. Ao contratar substitutos não-professores o governo mostrou-se despreocupado com a qualidade do ensino, logo, despreocupado com o povo. É necessário que a população s...,,,,,,,,,,,,,,,,e conscientize e perceba que se os alunos ficaram 112 dias sem aula os professores passaram 112 dias sem salário, lutando por uma educação melhor, que por trás do aumento salarial está o aumento da qualidade de ensino, com professores mais bem dispostos e dedicados a dadar aula.Caso o Estado venha a contratar substitutos nao professores novamente a populaçao tem que estar preparada para ir nas ruas dizer 'não!!' , afinal, os políticos não são nossos representantes? Devem representar nossos pensamentos e ideias e nós temos que exigir isso.
    Sou aluno do 3° ano do ensino médio e estou com os professores nessa luta.

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  19. Concerteza concordo com o Junior que contratando os outros professores substitutos o governo está desvalorizando o trabalho dos outros professores.

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