sábado, 7 de março de 2020

MORO E A MORTE DE NARCISO






A MORTE DE NARCISO.
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Por: Prof. Westerley Santos


 “Na tradição grega, o termo narcisismo designa o amor de um individuo por si mesmo. Este Mito surgido da superstição grega segundo a qual contemplar a própria imagem renunciava má sorte, e esta personagem foram  tornadas celebres por Ovídeo, na terceira parte das Metamorfoses. Transmitiu-se à cultura ocidental por intermédio dos autores renascentistas.
Filho do Deus Céfiso,  protetor do rio do mesmo nome, e da ninfa  Liríope, Narciso era um jovem dotado de uma beleza singular. No dia de seu nascimento, o adivinho Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura. Com a sua beleza atraia o desejo de muitas ninfas, entre elas Eco, a qual foi repelida.  Desesperada, esta ficou doente e pediu a Deusa Nêmeses  que a vingasse.
Narciso, durante uma caçada, fez uma pausa junto a uma fonte de águas claras. Olhando-as, viu-se refletido nas águas e supôs estar a ver outro ser. Paralisado, nunca mais conseguiu desviar os olhos daquele rosto que era o seu. Apaixonado por si próprio, Narciso mergulhou os braços na água para abraçar aquela imagem que não parava de se esquivar. Torturado por esse desejo impossível chorou e acabou por entender que era ele mesmo o objeto do seu amor. Ficou a contemplar a sua imagem até definhar-se e morrer. “A flor conhecida pelo nome de Narciso nasceu, então, no lugar onde morrera”.
FREUD E O NARCISISMO. Narcisismo é o amor de um indivíduo por si próprio ou por sua própria imagem, uma referência ao mito de Narciso. O termo "narcisismo" foi introduzido na psiquiatria no final do século XIX — e viria a ser adotado no campo da psicanálise — por Havelock Ellis (1898), para descrever uma forma de sexualidade baseada no próprio corpo do indivíduo.[1]
O narcisismo é atualmente um conceito na  teoria psicanalítica, introduzido por Sigmund Freud em seu livro Sobre o narcisismo¹. A  Associação Americana de Psiquiatria o classifica como Transtorno de Personalidade Narcisista, em seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).[2]  Freud acreditava que o narcisismo existe quando a libido está direcionada para si próprio.[3]  Ver quadro das características comuns do narcisista extremo, descritas por Joseph Burgo em seu livro "The Narcissist You Know"  (O Narcisista que Você Conhece). fonte: Wikipedia.
Sérgio Moro foi um “juiz” parcial que condena primeiro e julga depois. Sua sanha persecutória ao Presidente LULA pode ser entendida a partir de sua personalidade, autoimagem narcísica, valores e visão de mundo. Uma breve avaliação do perfil psicológico desde Sr. nos apresenta alguns traços de sua personalidade bem próximos da tese de Freud sobre a “Personalidade Narcisista”. Vejamos:
São traços da personalidade do Sr. Sérgio Moro perfeitamente constatados em breves observações psicológicas considerando seu histórico como juiz, as lógicas, semiótica, sofismas de suas argumentações, faladas e escritas, artigos,   aparições na mídia, postura corporal, comportamento social e político,  relatos de seus atos como juiz desde Maringá/PR  quando ainda não era conhecido nacionalmente.( ver vídeo)






                                                                        (ver https://youtu.be/9vvuN0HGSI8)


Psicologicamente são traços da personalidade do Sr. Sérgio Moro: persistente, ambicioso e vaidoso ao extremo. Percebe-se estas características em várias falas em que o ex-Juiz, persiste em suas falsas premissas e sofismas, como ideia fixa no erro sem o menor sintoma de revisão de suas convicções, segue contra tudo e contra todos na persistência à sua “verdades” no caso Lula. É o mesmo modos operandi persistente desde o caso Banestado até a Lava a Jato. (ver Livro as 10 falácias de Moro)

Sua ambição é constatada quando abandona uma carreira sólida e bem remunerada na magistratura e aceita ser Ministro de um governo de extrema direita envolvido com milicianos, isso, pela pretensão ambiciosa de obter um cargo vitalício no STF ou algo maior, como foi confirmado pelo próprio Presidente.

Sua vaidade extrema é facilmente percebida em sua própria imagem, vestes, Selfs e tentativa de participar de hábitos sociais de classe média, de preferência paulistana.

Adora controvérsias verbais (bate-boca), adepto a luxúria, adora riqueza e  ama  dinheiro. Há indicação de ser bastante ganancioso, avarento. Estas características são facilmente percebidas no caso noticiado de que o ex-juiz acumulava salários de atividade universitária com a de Magistrado. Também recebia auxílio moradia e outros penduricalhos que foi defendido por ele em público, mesmo sabendo que eram imorais. Quanto a ser adepto ao bate-boca, há vários registros de suas provocações aos advogados do Presidente Lula.

Outras características observadas na personalidade do Ex-Juiz, com base em estudos Psicológicos são: delicadeza e calma aparentes, (mais próximo da dissimulação), defensor fiel dos amigos ou de seu grupo, implacável com seus inimigos, adepto a clubes e grupos de amigos, dado a conspirações, gosta de grupos, não se  inibe em usar quaisquer informações confidenciais  a seu favor, dado a  bisbilhotarem e mexericos, inquisitivo, sempre prepara a saída de cena de modo rápido, adora situação de crise, não confia em seus juízos.² ( ver relatos da vaza jato e grampos no escritório de advogados, Hackers e presos)



Comparando estes aspectos da personalidade do Ex.-juiz, com as características de um Narcisista (quadro ao lado), não fica a menor dúvida de que todos os aspectos avaliados se encaixam como luvas em uma personalidade altamente Narcisista. Ocorre que poucos autores se atentam para um fator intrigante do mito de Narciso. Prestamos muita atenção aos aspectos de sua personalidade, mas, pouco atentamos para como? Narciso morre. O fato mesmo de sua morte é um aspecto pouco explorado.



  A QUESTÃO É: QUAL É O FIM DE NARCISO?

“O narcisismo tem o seu nome derivado de Narciso e ambos derivam da palavra grega "narke" que significa "entorpecido" e de onde se origina a palavra  "narcótico".

Estar narcísico não é apenas se preocupar consigo mesmo sem olhar o outro e ignorar as diferenças, é também estar com os sentidos entorpecidos e, por assim dizer, estar com a capacidade afetiva entorpecida e ou narcotizada. O estado narcísico compreende o entorpecimento da sensibilidade corporal: olfato, paladar, tato, audição e visão; de forma a comprometer toda a percepção corporal, o que significa alheamento e tédio. Consequentemente, o narcisismo é mantenedor das posturas e conceitos engessados e cristalizados, bem como de realizações conformadas ao padrão mesmo que estas sejam contra a sensibilidade dos envolvidos.

Com os sentidos narcotizados, o corpo não se mantém sozinho nem na absorção e condução dos conhecimentos e nem na dinâmica criativa das relações, necessitando tornar-se dependente dos sentidos e da capacidade criadora de outra pessoa. A par dessa necessidade, ocorre  a inveja  e a menos- valia, o que por si , gera atos inescrupulosos contra o objeto da inveja. (Lula)

Por outro lado, o narcísico encontra maior facilidade em atender sua necessidade de dependência através de fórmulas e regras já pré-estabelecidas, se tornando assim, um exímio seguidor e impositor de cartilhas.

Temendo mudanças e novas possibilidades, prefere  manter-se  longe de críticas, discussões e diferenças. A mais das vezes, não ouve o outro, adivinha-lhe o pensamento e o sentimento, e assume como verdade  sem levar em conta o que de fato o outro tem a dizer. (ver depoimentos dos defensores, advogados e do próprio Lula no youtube).

O narcísico, assim como no mito, opta pelo suicídio, se afoga em suas próprias idealizações e sistema. Torna-se apenas uma caricatura do corpo criativo que deveras é, acaba por resumir sua existência a uma forma vegetativa, feito a linda flor de Narciso.
O perigo que oferece o aprofundar-se em demasia na linha narcísica de alma está não somente na autocontenção, no solipcismo, no incesto intrapsíquico, mas também no suicídio. De modo explícito, ao recusar comer, Narciso se suicidou. Esse  suicídio anoréxico foi motivado pela desilusão: a imagem querida e amada, que surge no reflexo, não possui mais equivalência no mundo real e objetivo.

O narcisista ao extremo, definha-se e morre diante do espelho que mostra toda a feiura de sua alma. Nos tempos modernos a boa imprensa é o espelho que há, para fazer refletir diante de todos e de cada um quem é quem. Por isso, Narciso odeia e acha feio tudo que espelha seu verdadeiro Ser”.



O Ex. juiz se encontra hoje se desnudando diante do espelho da vaza-jato e se definhando política e socialmente a cada dia, se matem preso, antes pela toga, hoje no cargo de Ministro de um governo apoiado por milicianos. Como  Narciso se manteve preso ao espelho d´agua até a morte, o Ex. juiz está preso em sí mesmo, condenado por sua consciência e impedido de circular pelo mundo dos cidadãos livres. Está em prisão perpetua, preso para sempre à cargos e proteção de Governos autoritários ou de forças armadas. Lula, sujeito de seu amor e ódio, é um Ser livre por natureza, anda pelo mundo de mãos dadas à Deusa Têmis, Deusa da Justiça, mãe de Nêmesis, divindade que vingou-se de Narciso deixando-o definhar-se só, preso em sua própria imagem que não passa de uma miragem.


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(¹) Foto Livro Freud.



(²) Embora este texto com estas avaliações, tenha sido escrito originalmente em 2017, precisamente em (25/07/2017 as 12:38), Todas estas características descritas neste trecho  são agora (2019) fartamente comprovadas pela provas da matéria do THE INTERCEPT nas matérias da vaza a jato.




domingo, 22 de setembro de 2019

ARISTÓTELES E O NOME DA ROSA


Teoria do Riso – o livro perdido de Aristóteles.


Por Sérgio Medeiros

23/10/2016/ Fonte: GGN


Anoto que, não uma, mas todas as teorias até então atribuídas a Aristóteles sobre a Teoria do Riso estão fadadas a circularem sob novas luzes.
Se, até então, para Aristóteles segundo seus historiadores, o riso seria “próprio do homem”, sinal da racionalidade humana, a necessária ligação do homem com os deuses através das ideias que elevam o espirito – (teoria da felicidade), para seus detratores, o riso rebaixava o homem, destruía a solenidade ou quebrava o dogma da fé e do respeito devido a tudo que provém da divindade, por isso Jesus Cristo não ria.
No romance de ficção o Nome da Rosa, o escritor e filósofo, Umberto Eco, baseia toda sua trama em torno do segundo livro da Poética de Aristóteles, considerado perdido, e que, em linhas gerais, teria o condão de consolidar a Teoria do Riso como sendo algo próprio do homem, bem como fruto de sua racionalidade, o que poderia abalar a fé enquanto fundamento reverencial de temor a Deus e de respeito à instituição Igreja e a seus representantes na terra.
Entretanto, recentes descobertas, ainda não confirmadas em sua inteireza sobre a autenticidade dos escritos, nos levam a outro caminho, que, não obstante diverso dos que eram aventados até agora, comprova o potencial revolucionário desta obra e o porque da sistemática tentativa de destruir sua propagação através dos séculos. 
Introdutoriamente, como acima sinalado, informo que muitas das especulações acima, e que balizaram durante séculos a discussão sobre a gênese do riso não guardam correspondência com a real definição posta nas recentes descobertas.
Do que se pode antever, ainda que esparsamente, oriunda deste recentíssimo achado, é que estamos frente a uma nova concepção, que de forma assertiva dispõe concretamente sobre a dualidade do riso.
Em termos práticos, dispõe que o riso se revela em dois campos distintos, num sentido temos o corpo humano, e junto com ele, como presente dos Deuses, o riso, e, no outro, a concepção do homem como ser racional, e a outra forma do riso, produto desta racionalidade.
Assim, a primeira forma de manifestação do riso, vem da criação do homem, ou seja, provem da natureza, da sua essência natural, nesta o riso tem a ver com o gozo natural, com a perfeição física, e neste sentido se torna sublime, imenso, exprimindo primordialmente o sentir humano como atributo divino.
Neste sentir, o riso é uma das poucas coisas que já vieram perfeitas no homem, em suma era (e é)a visão do criador – de (os) Deus (es) -,  um presente que não deveria ser maculado, pois continha em si, neste aspecto, o que foi posteriormente retratado como imagem e semelhança.
Fazendo um paralelo, para melhor compreensão do tema, e trazendo esta visão pretérita a acontecimentos recentes, e que são objeto de instantânea divulgação nas mídias sociais pelo seu impacto, poderemos ver e sentir a imensa força desta manifestação, humana.
Quando pessoas que nunca escutaram algum som ouvem pela primeira vez, ou que nunca enxergaram e veem a luz, as cores, e com isso sentem, de forma diferenciada, a dimensão do espaço. Aí, em todas as vezes, brota do fundo do seu ser um riso espontâneo, de felicidade pura, que por sua intensidade pode ser sentido por todos, no contexto e na realidade do fato.
É sobre este riso que o segundo livro da poética de Aristóteles inicialmente se debruça, do riso enquanto manifestação do prazer físico dos sentidos, em sua interação com a natureza, como fruto de um acontecimento natural, da chuva após um longo período de seca, do nascimento dos filhos, da festa, e neste sentido é sublime.
Na realidade, esta primeira parte é que, pelo seu potencial libertador, é que foi censurada através dos séculos.
A extensão desta ideia, tornava o homem e seu corpo parte incindível da essência de Deus e, nesta percepção, sua profanação seria um crime contra Ele, e sua proteção e cuidados nossa manifestação de fé e respeito ao criador. 
Delinearemos com minúcias este ponto após a explicitação geral deste seccionamento da teoria do riso.
Assim, inicialmente compreendido o riso como fruto divino, presente dado aos homens, passou este, imediatamente, por sua excepcionalidade concreta e possível racionalização, a ser objeto de estudo e desejo, dos homens, de todos os homens, em todos os tempos, quais pequenos demiurgos, brincando de Deus para replicar sua obra perfeita.
Deste modo, a segunda parte da poética, após estas considerações iniciais, trata do riso como fruto da racionalidade humana, e o compreende, estritamente, dentro da Comédia, pois resultado de uma cópia risível do ser, humano, travestido de Deus.
Neste capítulo, temos o riso fabricado pela mente humana, o riso enquanto comédia, o riso como subproduto imperfeito da razão – e, este é o riso (transformado pelas mãos e mentes humanas, e encarcerado por elas) que, posteriormente,  foi moldado,  julgado e condenado por filósofos, que em sua arrogância e soberba, nublados pelos seus interesses, incluíram a parte divina em seu julgamento.
Como fruto imperfeito que busca no humano racionalizável sua alegria natural de existir, jamais poderiam ver reconhecida nessa manifestação algo mais além da conformação da natureza humana através da razão. Assim, o potencial destruidor de tudo que trouxesse sofrimento e dor ao homem, ao invés do riso, concretamente não ameaçava a ideia de Deus, mas a imperfeição das convenções humanas, racionalizáveis.
Isso explica porque, no decorrer dos anos, nem a Igreja, nem as instituições, que sempre se construíram pela força e pela racionalidade do poder, jamais deixaram que esta Poética tivesse seu conteúdo divulgado, pois a concepção do riso nela insculpida  somente teria seu desiderato no conforto e na proteção do homem e sua natureza.   
Trava-se desde então, um contínuo julgamento que, invariavelmente -, em face das provas ocultadas (extraviadas, destruídas) – somente se atém a concepções que não ameacem nem a Igreja nem a construção sobre as quais se erigiram os pilares da atual civilização ocidental –  ideias feitas em desserviço do homem e não em sua emancipação.
Compreende-se,  agora, através destes novos escritos, que, por conta dos homens, filósofos, literatos, cultos, através dos séculos – sistematicamente se condenou ou referenciou o riso como intrinsecamente relacionado a razão humana – o homem é o único animal que ri -, e dai se extrai, parte de sua racionalidade.
Neste ponto, consoante os novos termos,  abrem-se novos horizontes, pois o riso passa a ser compreendido em sua forma dúplice, em parte pode ser concebido como forma de intervenção divina em seu existir humano e, de outra parte, como construção humana, decorrente do uso de sua racionalidade.
A aceitação desta origem dúplice do riso, tendo como parte essência divina, consistente nesta sensação que engloba todo o corpo físico, harmonia, êxtase e sublimação, era, e é demasiado humana e subversiva, pois tira o foco exclusivo da fé e do espírito e o estende ao corpo humano.
Compreende-se nesta breve exposição, o fato do riso, considerado em sua pureza como originário dos sentidos, nunca ter sido diferenciado em sua essência, de suas outras formas de manifestação, de sempre ter sido colocado em seu conceito, como tendo forma una, como atributo da razão. Deve-se tal conformação fática, à circunstância que o riso,  ao ter definida sua origem unicamente como decorrente do uso da razão, teve automaticamente excluída sua vertente espiritual, bem como as consequências advindas deste componente divino em sua intrínseca natureza.
Tal concepção dúplice, resultaria em impossível conciliação com o martírio a que submetiam homens e mulheres, em nome de Deus, pois,  tal diferenciação importava em situar num só corpo, atributos ao mesmo tempo divinos e humanos, seres criados a imagem e semelhança.
Estaria em conformidade com o pensamento que apregoa que nada do que é humano pode, em essência,  ser ruim, nem riso, nem amor, nem sexo, êxtase ou emoção.
A grande questão sobre esta vertente universal do riso, que advém da atração, do prazer natural das coisas da natureza, o riso espontâneo de maravilhamento perante o mundo, é  que isto é demasiado Deus em nós.
Desta forma, se tal concepção encontra-se  inescapavelmente jungida ao nosso corpo humano, este merece  ser resguardado sob todas as formas e modos, pois em sua origem a mão divina que nos criou.
De outro lado temos a vertente que coloca toda a discussão no patamar da razão, todo o prazer (que provoca a sensação do riso) provém de motivações racionalizáveis elaboradas em conformidade com a naturalidade – física – do corpo, e assim situa o riso e a percepção de Deus na esfera da espiritualidade e não no corpo (mero instrumento). Esta forma de pensamento, ainda, tem um componente excepcional – no caso, como manifestação da racionalidade – humana -, traz em sua origem a capacidade de ser burlada.
Em suma – a razão deturpou o riso – pois se permitiu reproduzir este prazer – de tantas formas – que a farsa se tornou possível – e assim se criou a comédia – não o riso.
E, os filósofos, em seus tratados, por seu distanciamento com o prazer físico (natural), não  explicitaram sua essência e nem o diferenciaram (da comédia) – e, para torna-la imensa (como fruto do pensamento racionalizado) – usurparam ao riso, advindo da naturalidade das pessoas, sua origem divina, e o incorporaram, à força, aos escritos em que tornavam todo o ato humano  passível de riso, como racionalizável, submetendo-o ao jugo da razão.
Ao fazer a distinção, muito antes da religião cristã, Aristóteles, sem tais condicionantes, projetou seus pensamentos, como alerta aos que viriam, anteviu o futuro, e ao prevê-lo alertou as novas gerações sobre o significado das sensações e das palavras, e a forma como apareceriam e interfeririam na vida real.  
A considerar os escritos de Aristóteles em sua relação com os ensinamentos cristãos haveria uma nova interpretação, pois o riso humano não é questão de fé, ele existiria como manifestação concreta da divindade e caberia ao homem apenas reconhecê-lo, em si e nos outros e aprender com isso.
Entretanto,  em outro campo, o da razão, o riso – manifestação divina através de nosso corpo humano -, pode ser reproduzido, como farsa ou busca da perfeição,  através da comédia.
Reside, nestas intervenções do homem – simulacro de Deus -, a forma imperfeita, posto que humana.
Mesmo a dedicação à espiritualidade também não é perfeita, assim como o riso quando restrito a razão humana e não a criação divina, o homem não pode criar os sentidos, apenas dispor deles, nem criar Deus, apenas se unir a ele.
E, quanta pretensão, dos que, ao mesmo tempo que exaltam a razão como forma de nos assemelharmos a Deus, condenam o riso natural como traço de inferioridade, sem ao menos suspeitarem que este, escrito na linguagem incompreendida de Deus, inacessível a tais doutores, é entendida perfeitamente pelos simples, a quem foi dado apenas sorver o aroma natural,  tocar, ouvir, provar, ver, e sentir.  
  Apontamentos …
Trata-se de obra de ficção, não guardando estrita conformidade com as anotações nela insertas. 
Demiurgo – No pensamento cosmogônico de Platão, o termo designa o artesão divino – causa da alma do mundo – que, sem criar de fato o universo, dá forma a uma matéria desorganizada imitando as essências eternas, tendo os deuses inferiores, criados por ele, como tarefa a produção dos seres mortais. Wikipédia
 O PROBLEMA DO RISO EM O NOME DA ROSA, DE UMBERTO ECO. Título- The laugh trouble in The name of the rose, by Umberto Eco – Paulo de Góes[a] Doutor em Filosofia pela Unicamp e professor titular da Universidade de Sorocaba. Sorocaba,SP – Brasil,e-mail: lipa@splicenet.com.br
Na obra, especialmente as duas tendências são confrontadas. Uma é a que tem como representante o velho monge e bibliotecário Jorge de Burgos, que define o riso como fonte de dúvida e defende que o mesmo não deve ser livremente permitido como meio para afrontar a adversidade do dia-a-dia, visto que pode ser usado como arma para desacreditar a própria Igreja. Essa tendência é seguida pelos monges que integravam a abadia onde as cenas do romance se desenvolvem. A justificativa teológica (mas não lógica) é a de que o riso mata o temor e isso, por sua vez, impede a fé. Outra é a abordagem fundamentada em Aristóteles e seus comentadores, que teve, ao longo da história, desdobramentos diversos. Essa tendência é representada, no romance, por Guilherme de Baskerville, o arguto franciscano que encara o riso como pertencente à essência do homem, sinal da racionalidade do humano e instrumento para se lidar com as vicissitudes da vida.
Resumo
Umberto Eco, em seu conhecido romance O nome da Rosa, explora a questão referente ao riso, reproduzindo uma velha discussão histórica e filosófica que se reporta ao segundo livro da Poética, de Aristóteles, considerado perdido, no qual o filósofo, ao tratar da comédia, faz uma apologia do riso e suas virtudes. Duas tendências são confrontadas: uma, que tem como representante o velho monge e bibliotecário Jorge de Burgos, que define o riso como fonte de dúvida e defende que ele não deve ser livremente permitido como meio para afrontar a adversidade do dia-a-dia, e outra, representada por Guilherme de Baskerville, fundamentada em Aristóteles e seus comentadores que consideravam o riso como “próprio do homem”, sinal da racionalidade humana. Este artigo tem como objetivo explorar a duas tendências, percorrendo, de modo ligeiro, as páginas do romance, inserindo digressões de ordem histórica e filosófica.
 ….O Nome da Rosa, Umberto Eco.