RESPONDENDO AS PERGUNTAS MAIS COMUNS SOBRE A FILOSOFIA COMO:
FILOSOFIA SERVE PARA QUÊ? O QUE EU VOU FAZER COM FILOSOFIA? QUAL A FINALIDADE DA FILOSOFIA? A FILOSOFIA SE APLICA NA PRÁTICA? SEGUE UM EXEMPLO; A MAIOR FILÓSOFA BRASILEIRA, MARILENA CHAUI (TÃO ACUSADA QUANTO SÓCRATES) LEVA A FILOSOFIA ÀS RUAS DA CIDADE DEMOSTRANDO A MISSÃO DO FILÓSOFO(A) E A PRÁTICA DA FILOSOFIA, QUE É JOGAR LUZ SOBRE OS ABIENTES OBSCUROS, DE CONFUSÃO MENTAL SOBRE A REALIDADE QUE ESTAMOS VIVENDO.
UM POUCO DE SÓCRATES PARA MEUS ALUNOS

Filme: Sócrates
O filósofo
Sócrates (c. 469-399 a.C.), considerado o patrono da Filosofia, fora contemporâneo
e opositor ferrenho dos sofistas, dizendo que eles não eram filósofos, pois não
tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer
ideia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o
erro e a mentira valer tanto quanto a verdade.
Embora reconhecesse
que os sofistas transmitiam ensinamentos práticos, Sócrates achava que lhes
faltavam a visão interna do que realmente importava: Qual é o sentido da vida?
Quais sãos os valores pelos quais os homens devem lutar? Como o homem pode
aprimorar seu caráter? Nesse ponto os sofistas fracassaram, dizia Sócrates:
eles ensinavam o ambicioso a triunfar na política, mas a oratória e o raciocínio
inteligente não instruíam um homem na arte de viver. Segundo ele, os sofistas
haviam atacado o antigo sistema de crenças, mas não ofereceram aos individuo nada que o
pudesse substituir construtivamente.
Discordando dos
antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates?
Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir
os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si
mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo” que estava gravada no pórtico do
templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates.
Assim, opondo-se ao relativismo dos sofistas, ele sustentava que as pessoas
deveriam regular seu comportamento de acordo com valores universais. Sócrates
preocupava-se, sobretudo, com a perfeição do caráter de cada homem, com a
conquista de uma excelência moral. Sócrates havia ensinado que os modelos
universais do certo e justo existem e que são alcançados através do pensamento.
Para ele, os valores morais não se originavam de um Deus transcendental como
acreditavam os hebreus. Eles eram atingidos quando o individuo pautava sua vida
por padrões objetivos alcançados por meio de uma reflexão racional, isto é,
quando a razão se torna o instrumento formador, orientador e condutor da alma.
O vídeo do programa humorista Porta dos Fundos é um exemplo de como a moral é
emanada do Divino.
Para Sócrates, a missão do filósofo é de ajudar as pessoas a descobrirem nela
mesma oconhecimento que as conduziriam as virtudes. Ele queria subordinar todas
as crenças e comportamentos humanos à clara luz da razão, pretendendo dessa
maneira retirar a ética do domínio da autoridade, da tradição, do dogma, da
supertição e do mito. Acreditava que a razão era o único guia certo para o
problema mais crucial da existência humana – a questão do bem e do mal.
A pergunta principal de Sócrates, qual é a Essência do Homem? Ele respondia, o
homem é a sua alma, alma como razão, eu consciência intelectual e moral o que
distingue o homem de outros seres vivos.
Maiêutica
A
vida de Sócrates nos é contada por Xenofonte (em suas Memorabilia) e por Platão,
que faz dele o personagem central de seus diálogos, sobretudo Apologia de Sócrates
e Fédon. Sócrates era um cidadão comum de Atenas, até o oráculo de Delfos
indicar que ele era o homem mais sábio de seu tempo. A partir daí, ele tomou
como missão a Maiêutica, que significava a “arte de trazer à luz” (“parto das
ideias”), através de longas conversas com interlocutores de todas as classes
sociais.
O método
socrático se divide em duas partes: a primeira destrutiva, conhecida como
ironia e a segunda construtiva, conhecida como Maiêutica. A primeira elimina
falsos saberes e segunda trata-se de um convite para a “busca” do conhecimento.
É conhecido seu famoso método, sua arte de interrogar, sua “maiêutica”, que
consiste em forçar o interlocutor a desenvolver seu pensamento sobre uma questão
que ele pensa conhecer, para conduzi-lo, de consequência em consequência, a
contradizer-se, e, portanto, a confessar que nada sabe.
Sócrates
fazia perguntas sobre as ideias, sobre os valores nos quais os gregos
acreditavam e que julgavam conhecer. “Você sabe o que é isso que você está
dizendo?”. “Você diz”, falava Sócrates, “que a coragem é importante, mas: o que
é a coragem? Você acredita que a justiça é importante, mas: o que é a justiça?
Suas perguntas
deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos,pois, quando
tentavam responder ao célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam
responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas
ideias. Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates
respondesse por elas ou para elas, que soubesse as respostas às perguntas, como
os sofistas pareciam saber, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: “Eu
também não sei, por isso estou perguntando”. Donde a famosa expressão atribuída
a ele: “Sei que nada sei”.
As perguntas
realizadas por Sócrates são próprias da dialética socrática, isto é, oexercício
de contrapor argumentos contrários. Basicamente a dialética socrática tem três
elementos. Tese (Afirmação), Antítese (oposição) e síntese (resultado do raciocínio).
As etapas do saber são: a) ignorar sua ignorância; b) conhecer sua ignorância;
c) ignorar seu saber; d) conhecer seu saber. A consciência da própria ignorância
é o começo da Filosofia.
O que
procurava Sócrates? Procurava a definição daquilo que uma coisa, uma ideia, um
valor é verdadeiramente. Procurava a essência verdadeira da coisa, da ideia, do
valor. Procurava o conceito e não a mera opinião que temos de nós mesmos, das
coisas, das ideias e dos valores.
Qual a diferença
entre uma opinião e um conceito? A opinião varia de pessoa para pessoa, de
lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um,
de seus gostos e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade
intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, mostrando que é a
essência universal, intemporal e necessária de alguma coisa. Por isso, Sócrates
não perguntava se tal ou qual coisa era bela – pois nossa opinião sobre ela
pode variar – e sim: O que é a beleza? Qual é a essência ou o conceito do belo?
Do justo? Do amor? Da amizade?
Sócrates
acreditava que todos já nasciam com o conhecimento e que cabia ao filósofo
realizar o parto de nascimento. Ele acreditava que só o conhecimento que vem da
razão é capaz de discernir do que é “JUSTO, BOM E CERTO”.
A
única forma de conhecer a verdade é conhecendo a si mesmo. Conheça a ti mesmo.
Para Sócrates, só quem conhece a si mesmo, que sabe que não sabe. A grande
virtude do homem é saber que não sabe. Só sei que nada sei. Pois sábio é o
homem que sabe reconhecer seus limites e imperfeições. Compreender as ilusões
das aparências e as efemeridades das paixões, e com razão controlar-se. Só
assim poderá agir com justiça e sabedoria.
Nesse sentido, a maiêutica socrática é a arte de trazer à luz, por meio de
perguntas e de respostas, a verdade ou os conhecimentos mais importantes à vida
que cada pessoa retém em sua alma. A profissão de ignorância e ironia de Sócrates
fazem partes de seu procedimento geral de refutação por meio de perguntas e
respostas breves e constituem um meio de reverter o argumento do interlocutor
para fazê-lo cair em contradição. A refutação socrática revela a presunção de
saber do adversário, pela insuficiência de suas definições.
A Moral Socrática
A Moral
é considerada a parte mais importante da Filosofia socrática. Para Sócrates,
devemos pensar bem para viver bem. O meio único de alcançar a felicidade, fim
supremo do homem, é a prática da virtude e da moral.
Para Sócrates, o homem deve ser bom, pois é racional, e quanto maior a
racionalidade do homem, maior a sua responsabilidade com o BEM. A verdade, o
bem, a justiça, a beleza são virtudes adquiridas pelo homem por meio do
ensinamento, do reconhecimento de que se tem muito a aprender. Essas virtudes
estão na alma humana e, portanto, mais do que o conhecimento leva à felicidade,
ele chega à conclusão de que o homem justo é o que sabe o que é a justiça.
Sócrates dedicou sua vida à problemática em torno o homem, buscando respostas
para a origem da essência humana. Após anos de estudos, Sócrates conclui que o
homem é o seu consciente e isso é o que o distingue dos outros animais. O homem
é o seu intelecto, seus conceitos éticos, sua personalidade racional e moral, o
homem é aquilo que pensa.
A execução de Sócrates:
Durante muitos anos, Sócrates desafiou os atenienses sem sofrer nenhum dano,
porque Atenas era conhecida por todos por sua liberdade de expressão e
pensamento. Entretanto, nos temos de incerteza, durante e imediatamente após da
Guerra do Peloponeso, Sócrates fez inimigos. Aos 70, foi acusado de corromper a
juventude de Atenas e de não acreditar nos deuses da cidade, mas em outras
novas divindades. Por trás dessas acusações estava o temor de que Sócrates
fosse um desordeiro, um subversivo que ameaçava o Estado ao submeter seus velhos
e sagrados valores à crítica do pensamento.
Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembleia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a suicidar-se.
Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembleia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a suicidar-se.
Condenado
pelo tribunal ateniense, Sócrates foi obrigado a beber cicuta. Tivesse ele
tentado abrandar os jurados, provavelmente teria recebido uma sentença mais
leve, mas mesmo, sob a ameaça de morte, não quis alterar seus princípios.
Sócrates
não deixou escritas sua filosofia e suas crenças. Podemos construir um relato
coerente de sua vida e seus ideais a partir das obras de Platão, seu mais
importante discípulo.
Conclusão dos Socráticos
ou Antropológicos:
A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos
comportamentos, das ideias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa
com as questões morais e políticas. A opinião, as percepções e imagens
sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes,
contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho
próprio no conhecimento verdadeiro.
A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é
dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções
sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto
Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens
das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do
conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.
Fonte:
https://professormiguelluciano.wordpress.com/2014/03/25/periodo-socratico-ou-antropologico-socrates/
Livro Indicado
