sábado, 14 de setembro de 2019

TERCEIRA PARTE - PROBLEMATIZAÇÃO


 - A REAL MOTIVAÇÃO DO PROCURADOR DE CURITIBA -
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Por : Prof. Westerley Santos - 08/2019
        “Os discípulos  perguntaram a Jesus:
Diga-nos, com o que se parece o  Reino dos Céus”?
                                                                   “Ele lhes disse: É como a semente de mostarda — 
    a menor entre todas as sementes, mas quando cai em terra fértil 
dá origem a uma grande árvore que se torna abrigo para todos os pássaros do Céu”.

(Rajnnesh)

 A semente de Mostarda é um livro em que Rajnnesh¹ explica as parábolas de Jesus, e comenta a psicologia do dissimulado. Foi justamente pela dissimulação percebida nas palavras do procurador de Curitiba que um novo questionamento me sobreveio.  Afinal, qual a motivação oculta deste Procurador nesta tentativa extremada de condenar o Presidente Lula?  Quais os verdadeiros motivos deste moço?  O que na verdade o motiva a agir desta forma? Por quê? Quais os reais motivos esconde este moço por trás de palavras e conexões tão absurdas dissimuladas naquele Power point?  E desde então minha inquietação só fez aumentar. Até que passado um ano, consegui uma resposta logicamente razoável, ainda que parcial, sobre toda essa sanha persecutória.

Procurei compreender a coisa, por meio de um trabalho de hermenêutica sobre as convicções e práticas do procurador–acusador no caso Lula, sem me pautar por nenhum aspecto prévio, antecedente, nem político, nem ideológico, nem psicológico, nem religioso, sobre as possíveis motivações dos procuradores de Curitiba. Deixei a própria investigação e análise desenhar o quadro interpretativo e ir construindo o caminho no andar das minhas investigações. Ao fim, organizei os dados logicamente em um “mapa conceitual” (POST Primeira Parte).

Claro, que precisava de um ponto de partida, e as premissas foram: “todo extremo oculta o seu oposto”, frase de Rajneesh. O que me trouxe à  questão sobre  a real motivação de Dallagnol. - Então, convido o leitor a seguir-me nesta reflexão...

1 - A MOTIVAÇÃO  GERAL:  A Teologia  da  Prosperidade  -  (TP) é uma doutrina religiosa com seus dogmas, leis, conjunto moral, que tem como seu livro da fé, por assim dizer, o livro de Malaquias. É uma doutrina religiosa cristã que defende o princípio canônico de que, a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos, e que a , o discurso positivo, e as doações para os ministérios cristãos, irão sempre aumentar a riqueza material do fiel.

Mas, para que esta teoria descesse do campo puramente teórico ou doutrinal e se concretizasse de fato, no mundo material, era preciso que nos mundos; social, político e econômico houvesse as condições apropriadas para sua realização. Então, era preciso um modelo econômico e político propício à realização e expansão da TEOLOGIA DA PROSPERIDADE. E que modelo seria este?

Para qualquer doutrina ou segmento religioso, há vértices que são as doutrinas políticas e econômicas que lhes servem de amparo no mundo prático. Uma doutrina politica e econômica que seja o seu meio de realização prática no mundo material. E, para a T.P. nenhum outro modelo econômico lhe atenderia tão bem quanto o Neoliberalismo.

Não por coincidência, o Neoliberalismo é o modelo econômico defendido pelos E.U.A., maior nação protestante do mundo, maior operador do capitalismo moderno, berço da Teoria da Prosperidade, do Neopentecostalismo e também do Neoliberalismo Econômico.

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 ¹Rajneesh Chandra Mohan Jain . (Kuchwada, Índia11 de Dezembro de 1931 — PuneÍndia19 de Janeiro de 1990), nascido Chandra Mohan Jain, também conhecido como Acharya Rajneesh,[1] Bhagwan Shree Rajneesh e Osho. Filósofo, psicólogo, Advogado e mestre espiritual indú.


      AS TRÊS VÉRTICES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NO BRASIL


Obs: A ciência forense de investigação criminal define a lógica do crime a partir da seguinte trilogia:

                 (Motivação, Meios e  Oportunidade.)


2 – O MEIO: o Neopentecostalísmo da terceira onda: É uma corrente do protestantismo ligado a “Teologia da Prosperidade”. Os principais fundadores desta corrente nos E.U.A são os pastores: Kenneth Hagin (1867-1948), e Essek William Kenyon (1917 -2003). Seus seguidores mais conhecidos no Brasil são; Eddir Macedo (Igreja Universal) e seu genro, R.R. Soares (Igreja da Graça de Deus). A igreja de Dallagnol é uma instituição orientada pelo NEOPENTECOSTALISMO usada como meio para suas palestras e divulgações. Sua Igreja consta como endereço da “MUDE” uma ONG administrada pelo Procurador para fazer o Marketing da LAVA-JATO.

(As principais doutrinas do NEOPENTECOSTALISMO determinadas por seus teóricos são:  Ver Quadro ao lado).

3 - A OPORTUNIDADE: o Neoliberalismo é o ambiente de oportunidades exemplar para as pretensões de usurpação dos pobres pela (Doutrina Neopentecostal), pois, é próprio do Neoliberalismo deixar em desamparo, social, salarial, educacional, de saúde, de direitos... 2/3 da população, justamente os mais necessitados, logo; o neoliberalismo cria um contingente de pobres desassistidos pelo Estado que se transforma em necessitados que buscam a solução para suas carências sociais na FÉ. Tornando-se assim, um exército de desalentados, um nicho, uma reserva de mercado direcionada como gado, rumo as igrejas que lhe esperam de braços abertos.

Para a (TP) e seu braço operacional o Neopentecostalismo, quanto mais o sistema econômico Neoliberal - e só ele pode oferecer esta oportunidade - produzir pobres, mais clientes necessitados, disponíveis à (TP) haverá no mercado. Assim, mais igrejas ficarão cheias de almas ávidas por prosperidade, mais filiais poderão ser abertas, mais clientes fies serão arrebanhados, mais dízimos, mais negócios, mais dinheiro, mais lucro e principalmente mais votos e mais poder.

Por isso, a (TP) e seu braço operacional precisam combater a política, econômica oposta ao Neoliberalismo que é o Estado de Bem-estar social (Welfare State), política implementada por LULA/PT de 2003 a 2013 no Brasil. Na política do Bem-estar, o Estado assume o papel de Estado Providencial, provedor de serviços, direitos e oportunidades a todos: na saúde, habitação, alimentação, educação, emprego etc...

Neste contexto do Bem-estar social, as igrejas neopentecostais perdem os seus “comércios de indulgencias”, e seu  poder de barganha com Deus ao prometer casas, empregos, consultas médicas, curas, comida, saúde, carros... ao seus fieis em troca de dízimos e salvação.

Assim as três doutrinas; a TEOLOGIA DA PROSPERIDADE, o NEOLIBERALISMO e o NEOPENTACOSTALISMO - subdoutrina de mobilização midiática da fé, pela prosperidade e riqueza- formam um tridente ideológico, de doutrinas forjadas pelo pensamento liberal Norte Americano para materem  o poder, a manipulação e a riqueza. HÁ  uma obvia relação intrínseca entre elas. Senão vejamos:

A primeira (TP), serve como Base Teórica Motivacional. A segunda, o Neopentecostalismo, é  a haste teórica-religiosa, via doutrinação midiática da fé, uma doutrinação no mínimo peniafóbica, e a terceira; o Neoliberalismo é a haste político- econômica que garante poder e mercado a esta prática.

Então; a TEOLOGIA DA PROSPERIDADE serve como base ideológico-religiosa principal, que é a base que se constitui como MOTIVAÇÃO.

O NEOPENTECOSTALISMO serve de base prática da (TP), é a base da doutrinação midiático-religiosa, é a ação doutrinal de venda direta da fé nos templos de negócios religiosos. Este segundo vértice se constitui como os MEIOS.

E o NEOLIBERALISMO, serve de base ambiental de mercado e clientela, lócus economicus, para a realização dos negócios da fé. Este terceiro vértice se constitui como a OPORTUNIDADE.

Está formado assim, o tridente ideológico-religioso-econômico, que orienta a intencionalidade oculta dos acusadores de Lula neste grande plano para tirá-lo da cena política.

Está formado assim, o tridente ideológico, religioso-político-econômico ou se quiserem o plano de poder político e econômico executado não pelo viés político, latu-senso, mas sim, religioso, stricto-senso. É o que entendo, orienta a motivação intersubjetiva dos acusadores de Lula, principalmente o Procurador-chefe na República de Curitiba. Poder, negócios  e dinheiro.

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 PRINCÍPIOS DOUTRINAIS DO NEOPENTECOSTALISMO.

1. Batalha ESPIRITUAL. (Deus X Demônio).

2. Movimento palavra da Fé.  (A palavra cria a realidade).

3. A pobreza é sinal de pouca fé e obra do Demônio.

4. A favor dos pobres é ser a favor da obra do Demônio.

5. O Demônio está no poder e deve ser derrotado.

6. A verdade é revelada pessoalmente ao religioso, pela experiência do líder, independentemente da Bíblia.    (opinião pessoal do pastor, “Achismos”).

7. Confissão positiva. (Determinação autoritária pela palavra do crente)

8. Uso da Mídia para pregação/Tele protestantismo.

9. Satanização de líderes populares defensores dos Pobres.


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PRINCÍPIOS DOUTRINAIS DO NEOLIBERALISMO.

A política neoliberal pode ser sintetizada a partir dos seguintes eixos:

1 -Defesa dos princípios econômicos do capitalismo.

2 - Mínima participação Estatal nos rumos da economia de um país;
3 – Transformar Direitos Sociais em Serviços.

4 - A base da economia deve ser formada por empresas privadas;

5 - Pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;

6 –  Política de privatização de empresas estatais;

7 - Diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais “eficiente”;

8 - Livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização;
9 - Abertura da economia para a entrada de multinacionais;

10 - Adoção de medidas contra o protecionismo econômico;

11 -  “Desburocratização” do Estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades econômicas;

12 -  Aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico;

13 - Contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do Estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços.

     CRÍTICA AO NEOLIBERALISMO VER:









domingo, 21 de julho de 2019

LAVA JATO: O LEVIATÃ TOMOU O ESTADO DE DIREITO - ARTIGO DE OPINIÃO:



        LAVA A JATO: O LEVIATÃ TOMOU O ESTADO DE DIREITO.

“As duas virtudes cardinais da guerra são: força e fraude“
—  Thomas Hobbes
 
      SEGUNDA PARTE:  
      A OBSERVAÇÃO

Esta é a segunda parte do Artigo de opinião intitulado – Lula; Demônio de Dallagnol – (ver post Primeira parte). Neste artigo exercito a Observação, segundo passo do Processo de exame Filosófico, por isso crítico. A observação, é a busca de referência e relação entre a dúvida de origem, a realidade do mundo, e suas experiências de vida, por meio de uma observação demorada, interessada na descoberta. É um apropriar-se interno da coisa examinada.
O “Leviatã é o livro mais famoso do filósofo inglês Thomas Hobbes, publicado em 1651”. O seu título se deve ao monstro bíblico Leviatã. O livro, cujo título por extenso é Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, trata da estrutura da sociedade organizada. 
Hobbes alega serem os humanos egoístas por natureza. Com essa natureza tenderiam a guerrear entre si, todos contra todos (Bellum omnia omnes). Assim, para não exterminarmo-nos uns aos outros será necessário um contrato social que estabeleça a paz, a qual levará os homens a abdicarem da guerra contra outros homens. Mas, “egoístas que são, necessitam de um soberano (Leviatã) que puna aqueles que não obedecem ao contrato social”. (Wikipedia) 
Voltando a exposição do PowerPoint (POST: primeira parte), pressenti no ato, que algo muito ruim estava por acontecer, não só para o Presidente Lula, mas para todos nós cidadãos comuns. Lembro-me que pensei em voz alta: como pode os homens que deveriam promover a justiça, acusarem alguém em canal aberto de TV, usando ilustrações em telão, sem que o processo legal tenha sido concluído? E continuei em meus solilóquios; se isso está acontecendo com um Ex. Presidente como o Lula, o que será de nós cidadãos comuns? Daqui para frente, estaremos todos totalmente desguarnecidos, desprotegidos, isso significa um ataque a todos nós, um ataque ao Estado de Direito. Estamos nus e desamparados perante a um Leviatã irado e togado!

Deltan M. Dallagnol (29/01/1980), nascido em Pato Branco/PR, de classe médio-alta, (hoje é sabido pertencer à família de latifundiários em MT)¹, filho de procurador aposentado, Dallagnol se diz surfista que entrou no MPF por concurso em 2002, via liminar, por não ter à época, os dois anos de formado exigidos por lei para pleitear o cargo, caso em que foi defendido e “vencido” na justiça pelo seu pai (um ex – procurador), segundo consta, um dos fundadores do PSDB de sua região.

Era então um adolescente de classe média-alta na década de 90, auge do governo do PSDB de FHC e Aécio Neves e, do Neoliberalismo no Brasil, oásis político-econômico desta mesma classe média. Especializou-se em Direito na Universidade de Harvard², nos E.U.A, berço do Neoliberalismo e do Neoprotestantismo Modernos.
É um seguidor NEOPENTECOSTAL da Igreja Batista, faz culto e palestras remuneradas em Igrejas cujo tema é a lava-jato, usando informações privilegiadas de Estado e justiça. (vídeo youtube).


 (Palestra de Deltan na Igreja Pentecostal)
  
É comum a uma personalidade autoritária se valer do Poder, da força e da violência para impor sua visão de mundo. Assim era o Leviatã na Monarquia absolutista da pré-modernidade. O Poder de um procurador de justiça está na autoridade de seu cargo funcional, no poder das leis que maneja, e no poder que lhe dão as instituições, inclusive a mídia e, acima de tudo, a leniência do povo. Com este poder absoluto, o Homem da lei age para que suas ações autoritárias lhe sirvam de argumento fático para manter seu suposto domínio jurídico sobre a maioria da população e principalmente sobre aquele que escolheu como alvo, por motivos, na maior das vezes políticos, pessoais ou ideológico-religiosos, quando não todos juntos.

Para uma personalidade autoritária, estes elementos são suficientes para lhe outorgar um valor de verdade em suas convicções pessoais, restando aos outros concordarem, aceitarem e obedecerem as suas convicções. Pois, elas são a expressão da verdade indubitável e inquestionável, simplesmente por ser ele a autoridade jus-teológica a proferi-las. É uma lógica absolutista típica dos, Reis da idade média. E! Estes moços se sentem Reis. Uma espécie de Leviatã Moderno. Mas não para por ai...

Segundo os mentores da doutrina Neopentecostal da terceira onda, Kenneth Hagin (1867 -1948), e Essek William Enyons. (1917-2003), há Dez princípios fundamentais da doutrina Neopentecostal que devem ser seguidas pelos fiéis, os quais veremos mais detalhadamente na terceira parte destes artigos, por enquanto, fiquemos com três deles que dizem muito da base racional deste procurador. Três das Dez doutrinas de base do pensamento Neopentecostal:

  1 - Confissão positiva: (Determinação autoritária pela palavra do crente).
  2 - Movimento palavra da Fé: (a palavra cria a realidade).
  3 - A verdade é revelada pessoalmente ao religioso independentemente da Bíblia: 
       ( vale a opinião pessoal do pastor, achismos).

Se observarmos do ponto de vista Hermenêutico, fica claro que o Sr. Procurador, que nas horas vagas é também Pastor Neopentecostal (que em seus cultos e palestras muito bem remuneradas, sempre aborda o tema da lava jato), transfere a lógica da sua doutrina religiosa (itens acima) diretamente para a interpretação da Lei. É flagrante como o Procurador interpreta as Leis, a Constituição e o código Penal, a partir da lógica de sua doutrina religiosa, (itens acima). É como se substituísse o código penal por sua Bíblia, interpretando as Leis sob a luz e a lógica da interpretação Neopentecostal. Neste sentido, o que está escrito nas Leis depende de uma interpretação pessoal, revelada pela palavra do Pastor-procurador. É a “Confissão Positiva” da doutrina religiosa, aplicada à doutrina jurídica. É a Jus-teologia. O Procurador ler as Leis com os olhos do pastor interpreta a constituição e o código penal, como o religioso neopentecostal interpreta a bíblia. Vale a palavra do visionário! Fica claro que na Hermenêutica Dallagnoliana; se, a lei bíblica é uma interpretação do pastor, a lei jurídica também o é. Dai sua fala em palestras dizendo que combater a corrupção, é uma missão dada a ele por Deus. Por isso, para ele, basta ter convicção para que alguém seja culpado. Afinal, para a doutrina Neopentecostal, convicção é um elemento de certeza e verdade dada pela Fé. Só que o Sr. Procurador se esqueceu de um pequeno detalhe; no Estado de Direito, ao contrário do Estado em que o Rei-Leviatã determina a lei, a convicção não é sinônimo de verdade e não é o suficiente para julgar e condenar alguém. No Estado de Direito, há que se ter provas contundentes, o que até agora não apareceu no caso do Lula.

X

² ( Em Maio de 2019 com os escândalos dos diplomas e currículos falsos de Damares e outros, misteriosamente a informação de que o Sr. Dallagnol tem formação em Harvard foi apagada do seus registros na internet)