terça-feira, 2 de abril de 2019

O nazismo era de esquerda ou de direita?











CÂMARA DE GÁS NAZISTA


O nazismo era de esquerda ou de direita?

Existe um extenso debate a respeito da posição do nazismo no espectro político, mas o consenso entre os historiadores é de que o movimento surgiu da direita política alemã.

Nos últimos anos, um debate tem ocupado muito espaço quando o assunto é nazismo: esse movimento era de direita ou de esquerda? A intenção deste texto é levantar algumas questões referentes aos fatos históricos e ao debate que existe sobre o tema entre os historiadores como forma de trazer esclarecimento sobre o assunto.

O consenso acadêmico, ou seja, o consenso entre os historiadores, é de que o nazismo era um movimento localizado na extrema-direita do espectro político. A argumentação dos historiadores utiliza a análise do discurso do próprio Hitler e da ideologia do Partido Nazista, bem como dos fatos históricos e dos grupos de apoio aos nazistas, que eram grupos políticos e paramilitares de direita. Afirmar que o nazismo era um regime da extrema-direita não significa negar que existiram movimentos ditatoriais da extrema-esquerda, como foi o caso do governo de Stalin, na União Soviética, ou de Pol Pot, no Camboja.

No caso do nazismo, a conceituação vigente entre os maiores historiadores do mundo é de que se tratava de um regime de extrema-direita, pois, como mencionado, a sustentação do partido ocorreu por meio do apoio de grupos conservadores e paramilitares da direita alemã. Com uma análise minuciada das características do Partido Nazista, é possível identificar melhor essas questões.

Uma característica central da ideologia nazista eram os ataques ao marxismo e ao comunismo soviético. O desprezo ao comunismo era um elemento central da ideologia nazista. O temor ao comunismo, inclusive, é levantado pelos historiadores como um dos fatores que alavancaram o nazismo na Alemanha.

Na Alemanha durante as décadas de 1910 e 1920, as ideias comunistas eram muito influentes e possuíam muitos adeptos. A respeito dessa questão, o historiador Ian Kershaw menciona o fato de que os escritos de Hitler denotavam que ele não havia estudado marxismo1 e ainda que Hitler almejava ser o destruidor do marxismo2.

O resultado dessa busca de Hitler pela destruição do marxismo, representado no comunismo soviético, deu origem a uma geração de alemães que, a partir de uma extensa doutrinação, via no comunismo e nos judeus duas coisas que deveriam ser destruídas, como evidencia o historiador  Max Hastings.

O antimarxismo dos nazistas ecoava em parcela com o antissemitismo. Isso se explica pelo fato de que os nazistas acreditavam que o comunismo soviético era parte de um plano dos judeus de dominação internacional. Essa ideia conspiracionista em relação aos judeus foi fortemente influenciada na época por uma publicação anônima chamada Os Protocolos dos Sábios de Sião.

No caso do antimarxismo, podemos citar também os  freikorps, os grupos paramilitares que apoiavam o nazismo durante a década de 1920 e promoviam ataques contra os seus opositores ideológicos. Assim, foram comuns casos de grupos paramilitares que perseguiam e agrediam social-democratas (centro-esquerda) e marxistas/comunistas (esquerda).

O nazismo era liberal ou antiliberal?

Na questão da economia, há muita confusão, sobretudo pelo fato de o nazismo ter sido um partido antiliberal. Isso porque Hitler só aceitava uma economia capitalista que estivesse sob o poder do Estado, negando que o desenvolvimento capitalista acontecesse no livre mercado. De toda forma, o direito à propriedade privada era garantido dentro do Estado nazista e, conforme pontua Ian Kershaw, Hitler distinguia “capital industrial” de “capital financeiro”. O primeiro era visto de maneira positiva, e o segundo, de maneira negativa, uma vez que estava supostamente nas mãos dos judeus, o grupo visto como o responsável por todo o mal que a sociedade alemã enfrentava.


Por que Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães?

Outro ponto importante está na confusão acerca do nome do partido: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Essa nomenclatura fazia parte da propaganda do partido para atrair pessoas. Nesse sentido, utilizavam-se termos de dois movimentos bastante populares à época: o nacionalismo e o socialismo. Ambos os movimentos tinham inúmeros adeptos na Alemanha da época.

Até as cores do partido foram pensadas por Hitler como forma de atrair pessoas para o nazismo. Esse tipo de propagandismo a partir da nomenclatura foi utilizado por outros partidos ao longo da história. Um exemplo que é amplamente considerado atualmente é o caso da República Democrática da Coreia ou, simplesmente, Coreia do Norte, que, apesar do nome, sabemos que não tem nada de democrática. Por fim, é importante especificar que esse debate de o nazismo ser de esquerda não existe entre os meios acadêmicos, uma vez que a sua legitimidade nos fatos históricos não é comprovada pelos estudos feitos sobre o tema.

O que era o nazismo?

O nazismo foi um partido político que surgiu na Alemanha em 1920 e que ascendeu rapidamente ao poder aproveitando-se do desespero da sociedade alemã, que estava arrasada em consequência da Primeira Guerra Mundial e da Grande Depressão. Os nazistas conseguiram chegar ao poder em 1933 e iniciaram um regime totalitário que levou a Alemanha à Segunda Guerra Mundial e a cometer o maior genocídio da humanidade: o holocausto.

O partido nazista é fruto de ideais que estavam em evidência na sociedade alemã desde o século XIX e que ganharam nova dimensão após a Primeira Guerra Mundial. No século XIX, a região que corresponde à Alemanha sofreu o seu processo de unificação (surgimento do Estado Nacional Moderno da Alemanha) em torno de fortes ideais nacionalistas. Esse processo foi conduzido por Otto von Bismarck. O nacionalismo exacerbado que existia na sociedade alemã era acompanhado por tendências xenofóbicas (desprezo pelo estrangeiro) que se voltavam contra outros povos (como os poloneses) e pelo antissemitismo (aversão aos judeus).

Esses ideais escoravam-se em ideologias da época baseadas no darwinismo social que procuravam comprovar cientificamente a “superioridade” de determinados povos em relação a outros. No caso do alemão, desenvolveu-se um ideal em torno do “nórdico” ou “ariano” como povo superior. Esse ideal de superioridade era acompanhado de um ideal de império em que os alemães formariam um “espaço vital”, uma espécie de mito rural em que os alemães ocupariam um vasto território e viveriam à custa do trabalho dos eslavos.

Além do nacionalismo extremo, da  xenofobia e do antissemitismo, a sociedade alemã também reproduzia outros ideais, como a exaltação da guerra como forma de alcançar o desenvolvimento e o apreço por uma liderança forte. Todos esses valores foram levados para o século XX e exportados aos movimentos extremistas da década de 1920, quando a sociedade alemã estava à beira do colapso.

O surgimento do nazismo está diretamente relacionado com o cenário da Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. O fim desse conflito foi marcado pela rendição da Alemanha e pela resignação das lideranças do país em assumir a total responsabilidade pelo conflito. Isso foi enxergado por uma parte considerável da sociedade alemã como uma traição, e a rendição do país foi vista de uma maneira conspiratória, isto é, elementos da sociedade passaram a acreditar que a rendição da Alemanha havia sido fruto de uma conspiração.

Para agravar a situação, a Alemanha encarou a pior crise econômica da sua história nas décadas de 1920 e 1930 por conta da derrota na guerra e da Crise de 1929 (Grande Depressão). A crise econômica fez com que a moeda alemã sofresse uma desvalorização brutal e o desemprego disparasse e alcançasse quase a metade da população em idade ativa.

Foi dentro desse contexto que o nazismo ganhou força. O partido surgiu oficialmente em 1920 com o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão, o nome do partido era Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, com sigla NSDAP). Hitler esteve envolvido com o surgimento do partido na data citada e ajudou na elaboração do programa do partido.

Aos poucos, Hitler foi ganhando mais importância na popularização dos nazistas, principalmente por sua excelente oratória, que chamava a atenção das pessoas. Ele se tornou líder do partido nazista em 1921 e foi figura central no fortalecimento do nazismo ao longo da década de 1920, conseguindo chegar ao poder da Alemanha em 1933.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-nazismo-era-esquerda-ou-direita.htm


VEJA ABAIXO: CARACTERÍSTICAS DO FASCISMO
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1 KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 84.
2 Idem, p. 171.
Referencial teórico utilizado:
EVANS, Richard J. A chegada do Terceiro Reich. São Paulo: Planeta, 2016.
EVANS, Richard J. O Terceiro Reich no poder. São Paulo: Planeta, 2014.
GOLDHAGEN, Daniel Jonah. Os carrascos voluntários de Hitler: o povo alemão e o Holocausto. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.
HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
RICHARD, Lionel. A República de Weimar 1919-1933. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
*Créditos da imagem: Everett Historical e Shutterstock
Por Daniel Neves Silva
Graduado em História


CURIOSIDADE:

                                                                                                                  A Cruz Suástica

A cruz suástica é um dos símbolos mais utilizados pelo nazismo, representando um "sorte", "prosperidade" e "sucesso", entre os nazistas. Porém, atualmente, este símbolo tem uma conotação totalmente negativa, sendo até mesmo proibido de ser replicado ou incentivado em locais públicos. No entanto, muita gente não sabe mais o símbolo que se tornou um dos "mais odiados do mundo", por causa da sua ligação com o Partido Nazista, existe há muitos anos e sob um significado totalmente inofensivo e bondoso. Antes de ser adotada como símbolo do Nazismo, a cruz Suásticaera um amuleto de sorte, representando a prosperidade e o sucesso.
Vale ressaltar que, etimologicamente, a palavra "suástica" em sânscrito significa "felicidade", "sorte" e "prazer".


domingo, 4 de novembro de 2018

FAKE NEWS E PÓS-VERDADE


1712-1776
sec. XVIII


“a vida metropolitana é como uma permanente colisão de grupos e conluios, um contínuo fluxo e refluxo de opiniões conflitivas. (…) Todos se colocam frequentemente em contradição consigo mesmos (…) e tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam a tudo (…) um mundo em que o bom, o mau, o belo, o feio, a verdade, a virtude, têm uma existência apenas local e limitada (…) eu começo a sentir a embriaguez a que essa vida agitada e tumultuosa me condena. Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido. De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas perturbem meus sentimentos, de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual meu lugar. (…) vejo apenas fantasmas que rondam meus olhos e desaparecem assim que os tento agarrar”.                  
                                                                                                                                            (JJ Rousseau, em - A Nova Heloísa- 1760 )

vamos ver se Rousseau tinha razão!!!






Fake news e pós-verdade

Por Mayra Poubel
Graduada em História (UFF, 2017)
Mestre em Sociologia e Antropologia (UFRJ, 2012)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2009)

 “Fake News” em tradução literal significa notícia falsa. O uso corrente que essas palavras têm tido atualmente não é, porém, uma relação direta entre notícia falsa e mentira. Alguns intelectuais apontam que estamos sob o domínio do “pós-verdade”, isto é, um momento em que notícias falsas são difundidas – principalmente com o advento da internet – importando muito mais as crenças que se pretendeu solidificar do que a veracidade dos fatos em si.

Eleita pelo dicionário Oxford (referência no papel de catalogar novos termos) como expressão do ano de 2016, o termo “pós-verdade” foi definido como “relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos tem menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. De forma simplificada, a utilização dessa expressão se refere à diminuição do peso dado para a verdade factual e valorização das versões de um fato com objetivo de sustentar opiniões e ideologias.

Em linhas gerais, esta ideia já era discutida por Baudrillard (1929-2007-Fr.) quando ao analisar a sociedade pós-industrial apontava que as transformações ocorridas nesse período resultaram em um mundo onde há cada vez mais informação e menos sentido. A realidade não é mais simplesmente o que acontece, mas o que é capaz de ser simulado e reproduzido. A representação estaria, portanto, precedendo a realidade.

Embora a discussão de Baudrillard já abra caminho para o entendimento do descolamento entre o real e o que é reproduzido, a expressão “pós verdade” conforme utilizada atualmente apareceu no ano de 1992 na revista “The Nation”, se projetando a partir de 2016 com a divulgação de “Fake News” em dois eventos de alcance mundial: eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA e a saída do Reino Unido da União Européia (Brexit). Nestes dois episódios, a divulgação de notícias falsas podem ter sido decisivas para o resultado final das campanhas.

 Cabe ressaltar que notícias falsas sempre existiram na história da humanidade mas há quatro causas que se relacionam e explicam esse novo fenômeno:
1)      Descentralização da informação trazida pelas novas tecnologias de comunicação;
2)      Ambiente de forte polarização política, que contribui para a difusão de notícias falsas para atingir o inimigo ideológico;
3)    Crise de confiança nas instituições tradicionais favorecendo a autonomia das pessoas na busca pelas informações;
4) Fortalecimento de uma visão de mundo que relativiza a verdade resultado de mudanças socioeconômicas trazidas pela globalização que fragmentaram e flexibilizaram o modo de ver o mundo propiciando um pensamento mais individualista e imediatista.

Em um momento de queda em quatro grandes instituições: Empresas, Governos, ONG e Mídia, as pessoas estão mais propensas a ignorar informações que confirmam uma ideia com a qual não concordam, mostrando um desprezo pela verdade, ainda que baseado em fatos.

O grande perigo existente na fluidez da veracidade dos fatos é que a verdade não precisa ser provada, apenas afirmada. A afirmação/manipulação dos fatos para atender a determinados objetivos e ideologias foi uma estratégia muito utilizada nos regimes totalitários e que está perigosamente ganhando terreno também entre os regimes ditos democráticos.

Bibliografia:
Guia do Estudante. Atualidades vestibular + ENEM. Ed.26. 2º S 2017 Editora Abril
Arquivado em: Sociedade

domingo, 6 de maio de 2018

CARTA ABERTA AOS MEUS ÍDOLOS




CARTA ABERTA AOS MEUS ÍDOLOS


Onde estão meus ídolos que me ensinaram a lutar contra a ditadura e toda injustiça social, e hoje se calam diante da injustiça de todos contra a um só?

O que houve com meu ídolo FAGNER, que tanto me fez chorar indignado com a fome e a miséria do nordestino numa “Súplica Cearense”, e hoje é contra o nordestino Lula e canta para Sérgio Moro? ZÉ RAMALHO, meu ídolo de sempre que me fez ver essa “Vida de Gado”,e hoje não Fala mais da “Vida do Povo”, diz não gostar de política, prefere calar-se ante este jardim das aflições. Onde está meu ídolo GIL que tudo viu de perto e parece ter abandonado seu ministério declarando academicamente uma obvia prisão política daquele que tanto fez por nós? Parece não passar mais os “Domingos no Parque”. CAETANO, meu “Divino Maravilhoso” que gritava que é preciso estar atento e forte, pois, não temos tempo de temer a morte. Do exílio a tropicália, hoje dos cachês aos chamados da  Globo. Sua voz agora é só um Sussurro de “LULA LIVRE”. DJAVAN; ídolo dos tempos dos primeiros namoros de tanto “Lamento Sertanejo”, não sente mais a dor de ser negro em Alagoas, talvez por isso anda tão incolor. Por onde andam os MILTONS, enquanto as mulheres acampadas gritam as dores de suas Marias, os GERALDOS, os VANDRÉS arrependidos, as RITAS que esqueceram os “Josés” e as “Ovelhas negras” que ainda caminham perdidas pelas ruas? Será que são hoje todos ROBERTOS E CAMARGOS?

Até tu CHICO¹? Que tanto nos deu força e esperança contra este “cálice” de vinho tinto de sangue. e nos fez perceber que não somos apenas um pacote caído no chão atrapalhando o tráfego. Até Tu! Andas tímido, com medo de mostrar uma camiseta vermelha com o rosto do nosso “Geni”, o único que não nos abandonou.

Canta Raul! Que falta você nos faz, que falta nos faz uma "Sociedade Alternativa". Sinto falta de ti ELIS, mesmo “Bêbeda e equilibrista”, sinto falta daquele “Rapaz Latino, americano sem dinheiro no banco”, com sua “Alucinação”. Que falta você nos faz RENATO, para nos alertar sobre “Que País é Esse” para nos dizer deste “Faroeste caboclo”.  Agora somos todos uma Legião Urbana e Rural órfãos de ídolos que gritem e cantem nossa dor. Estão todos ocupados em seus shows para si mesmos, de olho nas bilheterias e de cabeças baixas olhando para seus próprios umbigos, cegos, surdos e mudos diante da injustiça que prende nossa esperança sem culpa e sem provas em uma sala em Curitiba .

O que houve com meus ídolos que morreram todos e que só gostavam de política em 1966? Abriram a caixa de pandora e fugiram todos, restando o único que permanece impávido em sua certeza, segurando entre os dedos toda nossa esperança em um país melhor. LULA!
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¹ Questão de Justiça: tempos após este texto, Chico Buarque entrou em campo e como esperado pelos que o admiram, como eu, defendeu abertamente a inocência de Lula e combateu sua prisão política, por entrevistas, visita ao Papa, visita ao Lula, participação em eventos e outros. Dos considerados Grandes artistas de nossa história, Chico como sempre não nos decepciona.  






terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O DEMOCÍDIO DE LULA


O DEMOCíDIO DE LULA
Uma leitura Antropológica
Por: Westerley Santos – Jan/2018

Não há mais a menor dúvida de que o ex. presidente Lula é inocente. Então, por que foi condenado pelo Juiz Sérgio Moro e está sendo julgado no TRF-4? Simplesmente porque está sendo vitima de uma cassada persecutória desproporcional e desumana, em que o próprio Estado, associado às instituições privadas como a grande mídia e representantes da elite empresarial, age violentamente como a um Leviatã implacável contra um só sujeito inocente.

Não bastando a desproporcionalidade ou desequilíbrio de forças, o Estado acusador ainda se associa com parte poderosa da mídia e de empresários de uma elite atrasada, compondo uma força-tarefa, com a intenção deliberada de destruir o ex. presidente nos campos; civil, psíquico, social, politico, moral, ético e econômico, manipulando a própria estrutura jurídica do Estado de Direito, eliminando princípios fundamentais de justiça, presunção de inocência, cerceamento de defesa, entre outras barbaridades. Finalizando em uma condenação sumaria, perante a justiça e a opinião pública, não porque o ex. presidente tenha cometido algum crime, pois, sua inocência está amplamente comprovada, mas, simplesmente e tão-somente por ser o LULA.

Para os acusadores a culpa e o crime de Lula é ser, no sentido Antropológico, o Ser Humano Lula, sendo assim, as motivações acusatórias vão além dos limites técnico-jurídicos ou político e de eleição. - A coisa se mostra hediondamente mais grave.

Se, entendermos e, é bastante verossímil, que forças institucionais de vários setores como: (1) parte importante do Judiciário, do Legislativo, e do Executivo, se associou, ao menos em uníssona intenção, com (2) parte importante do mercado econômico, (representado pela elite empresarial da indústria, do comércio e do setor bancário e  ruralista), (3) as maiores empresas de mídia e comunicação do país, (4) a ajuda luxuosa de líderes religiosos da doutrina Neopentecostal da terceira onda, detentores de templos de servos fieis, Tvs e rádios, além de cargos públicos de poder jurídico e legislativo. Se, entendermos que todos estes entes, estão em conjunto e ao mesmo tempo, usando todos os seus aparatos legais, ilegais, técnico, tecnológico, de manipulação e doutrinação ideológica e psicológica, contra a um só sujeito inocente, então, podemos inferir, que se trata no conjunto, de uma tentativa de extermínio deste sujeito, dada a causa injustificada da acusação e a desproporção de forças e Direitos neste processo.

 Se analisarmos este ataque sistemático e orquestrado contra a um só cidadão escolhido, pelo viés da Antropologia, facilmente perceberemos uma tentativa de aniquilamento que vai para além do homem Lula, encontraremos a intenção de extermínio do Ser humano Luís Inácio Lula da Silva, por parte do Estado e de parte da elite da iniciativa privada. O que define um Estado ou no mínimo um tribunal de exceção para o caso Lula. Senão, vejamos em poucas linhas:

É consenso na Antropologia Filosófica que, o homem em essência, o ser humano, é um ser composto por múltiplos aspectos, e, que estes aspectos juntos devem estar preservados e em plenas condições de exercitarem suas funções teleológicas naturais e, só assim, o homem se torna um ser humano integral, inteiro. Por isso, a preservação e saúde destes aspectos, são essenciais para que o homem exerça e contemple sua humanidade e sua existência-no-mundo. E quais são estes aspectos que formam o ser humano?

São eles: primeiro, o aspecto material/corpóreo, ligado às condições de saúde física e biológica indispensáveis ao estar-no-mundo do sujeito. Neste aspecto o homem Lula, está sendo violentamente agredido pelo Estado, direta e indiretamente, haja vista, a condução coercitiva ilegal, a invasão de seu lar, a iminência de prisão, as ameaças de agressão física e de morte pelas redes sociais, induzidos a partir dos ataques persecutórios e de manipulação da Mídia.

O segundo aspectos é o racional e psíquico, ligado à elaboração cognitiva, emocional e de consciência sobre a estrutura de organização do mundo em que vivemos. Dos princípios e valores que nos dão a referência do outro e, da consciência de si como pessoa; (substância racional e individual que existe como um todo indivisível e exerce um papel no mundo.) Pois bem, também este aspecto no homem Lula, está sendo violentamente atacado, haja vista, a satanização midiática cotidiana na tentativa de execração popular da pessoa do ex. presidente.

O terceiro aspecto é o social e político, segundo Aristóteles, o homem é um animal social e político, isso porque, somos seres gregários, não vivemos sozinhos, somos interdependentes de uma relação mutua com o outro para garantir nossa sobrevivência e a conservação de nossa espécie. O indivíduo não existe fora de seu contexto social, há em nós, uma necessidade vital que nos leva a compartilhar nossa existência com os demais indivíduos enquanto cidadãos em busca do bem comum. Dai a natureza Política do nosso ser.  Segundo; Sônia Maria em – ( Um Outro Olhar. 1995)

 “(...) A coexistência e a cooperação entre indivíduos e grupos são necessárias para a constituição e desenvolvimento das diferentes instituições sociais e políticas que, por sua vez, garantem o bem-estar individual e coletivo. (...) o resultado desta associação permanente entre indivíduos diferentes, torna o homem um ser político e social”.  

Pois bem, talvez este aspecto seja onde o ataque indiscriminado ao homem Lula, seja mais perceptível a olhos nus.  É nítida a tentativa de destruição do ser político e social do ex. presidente. Haja vista, o conjunto todo de acusações, com base em ilações, convicções acusatórias, falácias, crenças, demonização, e desqualificação política pela mídia, além da tentativa evidente de eliminar do cenário das eleições um candidato com grandes chances de ser eleito democraticamente.

O quarto aspecto que compõem o ser humano é o da práxis (ação) e da liberdade.  A existência humana necessita se produzir no tempo e no espaço. E esta produção é uma dinâmica, um processo de ações onde o homem pela ação prática, consciente, livre e responsável, transforma a natureza pelo trabalho e interfere no mundo, construindo sua história e a si mesmo. Para tanto, o homem precisa da liberdade para tomar suas próprias decisões e fazer suas escolhas. Tornando-se então um ser de práxis e de liberdade.

Ora! Embora o ex. presidente goze do direito de ir e vir, esta condição não significa liberdade e muito menos livre-ação da pessoa, pois, o cerco persecutório ao homem Lula, o impede de tomar suas próprias decisões e fazer suas próprias escolhas e, de agir conforme sua livre consciência e vontade, pois, todos os olhos persecutórios do Estado e da Mídia, como a um panóptico moderno , estão sobre ele o tempo todo, controlando o indivíduo no espaço e no tempo, inibindo suas ações, pensamentos, livre expressão e até gestos e manifestações mais espontâneos, próprios a qualquer ser realmente livre. O homem Lula, talvez seja por tudo isso, o homem mais vigiado e controlado do Brasil no momento. Qualquer movimento, ação, e exposição de pensamentos diferentes, poderão ser usados contra ele próprio pelos seus perseguidores. Isso demonstra a violência contra o aspecto da práxis e da liberdade necessários a qualquer homem para que exerça sua condição humana, no sentido Antropológico.

O quinto aspecto é o ético e estético. Ao abordarmos a dimensão ética nos sujeitos, implicitamente estaremos abordando também o aspecto moral. Em cada um de nós há uma consciência valorativa de justiça, verdade e virtude, um senso que visa distinguir, o certo do errado, o bom do mal, o legal do ilegal, o justo do injusto. Este é o senso ético que cada indivíduo carrega em si, e que evolui pelos questionamentos e reflexões que fazemos sobre nossas ações e as dos outros. É esse senso em constante evolução pela reflexão ética e moral que nos serve de medida, critério de discernimento para nossas escolhas e atitudes. Dai a necessidade da consciência e da liberdade para se exercer o aspecto ético e moral de cada um de nós. Como nos diz Sônia Maria; “A ética ilumina a consciência e a condição humana, sustenta e dirige as ações do homem, norteando sua conduta individual e social”.

J.J.Rousseau, em Profissão do Vigário Geral, (incluído no Livro IV do Emílio), expõem uma visão belíssima sobre esta questão:

“Há nas profundezas das almas (...) um princípio inato de justiça e de virtude, de acordo com o qual, apesar de nossas próprias máximas, julgamos nossas ações e as dos outros como boas ou más. É  a esse princípio que dou o nome de consciência ética”.

Sobre este aspecto, é notória a tentativa de dizimar este pilar de sustentação valorativo no homem Lula, a ponto dele mesmo, um indivíduo maduro e com consolidados preceitos éticos e morais, deflagrar expressamente em algumas oportunidades que:

“(...) se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, eu quero dizer pra vocês que não vale a pena ser honesto nesse país e, não vale a pena você ser inocente”       
                              (https://youtu.be/gPI6BXy1Q4o).

Esta é uma fala que denota claramente como o senso de justiça, verdade, certo e errado do homem Lula, está sofrendo o abalo da duvida, devido a causas exógenas ao seu sistema de valores perenes. São os efeitos da perseguição criando no indivíduo, a dúvida onde antes havia certezas sobre o valor de justiça, certo e errado, culpa e inocência. Isso pela suspeição e pela esquizofrenia daquele sistema normativo e de princípios morais e legais que até então lhe pareciam seguros, justos e corretos.

Já o ser estético, é aquele capaz de perceber e apreender o belo do mundo e da vida. É a sensibilidade humana que capta as sensações externas advindas da natureza e da realidade. O aspecto estético nos dá a condição humana de captar e apreender a realidade concreta e existencial que nos cerca. É uma espécie de razão da sensibilidade perante o mundo. O que nos torna seres de bondade e sensibilidade para com o mundo e o outro. Rousseau dizia ainda no Emílio que;

”Existe em todos nós a capacidade para admirar e sentir prazer em atos de justiça, bondade e beleza moral, mesmo quando nós próprios nada temos a ganhar. (...) não há um homem que não se sinta comovido por tais atos, ou, por outro lado, ultrajado pela crueldade e iniquidade.”

Os ataques sistemáticos ao homem Lula, acabam por atingir o aspecto estético, no sentido descrito, necessário à sustentação de sua sensibilidade de humanidade. Embora, talvez seja este o aspecto mais forte demonstrado até aqui pelo ex. presidente.

O sexto aspecto da composição humana, é a linguagem e história. Por meio da linguagem o homem faz e produz cultura, o homem faz escolhas e constrói realidades, porque possui uma inteligência teórica, comunicativa. Pela linguagem o homem cria símbolos, signos, ritos, mitos, sistema de crença e participação social, exerce todos os outros aspectos até aqui citados. Esta prática constrói a cultura e toda cultura é histórica. Dialeticamente linguagem-cultura-história, compõe a historicidade do indivíduo no mundo.

Percebe-se uma tentativa de inibir, cercear, controlar e até eliminar esta construção da práxis no homem Lula. Claro que pela força da natureza dialética do aspecto aqui descrito, o homem Lula, na adversidade promovida pelas teses dos ataques, reage produzindo antíteses que no confronto, gera um movimento que lhe confere, em síntese, a construção de novos elementos de sua própria historicidade. Mas, tal força não anula o fato de que há um ataque ao homem Lula, que atinge diretamente a construção de sua história pela tentativa de transformá-lo em corrupto para a eternidade. E por que corrupto? Justamente porque a ideia de corrupção tem o significado mais devastador possível ao profissional da política. Fosse o ex. presidente um cirurgião, talvez estivesse sendo acusado de imperícia técnica para uso de bisturis.

O sétimo e último aspecto, o metafísico e espiritual. O homem é um ser finito. Um ser que se constrói na caminhada rumo a finitude. Tendo consciência disso, o homem busca a superação do seu limite de vida. Esta contradição gera uma crise existencial que nos leva a buscar explicações em uma dimensão metafísica, espiritual. É a maneira encontrada pelo homem para transcender as limitações impostas pela matéria. O que ao fim e ao cabo, produz em nós, o apaziguamento de nossos conflitos existenciais mais internos.

O equilíbrio espiritual gera a paz de espirito que é fundamental e necessária para que suportemos as mazelas da própria existência. É difícil dizer o quanto um homem está vivendo em turbulência ou mesmo em um inferno espiritual, já que, se trata de um elemento metafísico, espiritual, intimo de cada um. Mas, considerando que somos susceptíveis ao meio em que vivemos e que nosso refugio espiritual é devido às mazelas justamente advindas de interferências externas. Pode-se dizer que um homem atingido em toda sua vida e dignidade, está também sendo atingido em seu estado espiritual, em sua alma. Ainda que neste aspecto o homem Lula, têm se mostrado muito forte, haja vista, a demonização promovida em torno de sua pessoa sem que revide com manifestações de ódio ou vingança.

Podemos concluir que o homem Luís Inácio Lula da Silva, está sendo atacado na intenção deliberada de extermínio de sua condição humana, através da destruição de cada um dos elementos que constituem a integridade do ser humano. Como a um Leviatã, Setores poderosos do Estado da iniciativa privada, usam de todas as suas forças e violência desproporcional, numa cassada persecutória, não apenas para proferir uma punição judicial a um cidadão, mas, para exterminar o ser humano Lula. Não por ser culpado das acusações, mas, tão- somente por ser o ser humano LULA. Visto pelos adversários como ameaça política presente e futura. E o nome disso é Democídio¹
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¹ Demicídio: Rummel define democídio enquanto o assassínio de qualquer pessoa ou grupo de pessoas pelo seu próprio governo, incluindo genocídio, politicídio e assassínio em massa. Democídio não significa necessariamente a eliminação de grupos culturais, mas antes grupos de cidadãos que o governo sinta a necessidade de serem erradicados por razões políticas ou que alegue constituírem ameaças futuras.

Embora nos dicionários só tenha um significado, de acordo com Rummel o genocídio tem três significados diferentes. O significado comum é o assassínio por parte do governo de pessoas em função da sua pertença a grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos. O significado jurídico refere-se ao tratado internacional sobre o genocídio, a Convenção sobre o genocídio, o que inclui também atos não letais com a finalidade de eliminar ou prejudicar o grupo. Segundo Rummel, o terceiro significado geral de genocídio seria igual ao significado comum, mas deveria incluir também o assassínio por parte do governo de oponentes políticos ou de outros assassínios intencionais. De modo a evitar criar confusão entre os significados, Rummel criou o termo democídio para este terceiro significado.[8]

Rudolph Joseph Rummel (21 de outubro de 1932) faleceu em 2 de Março de 2014 era professor emérito de ciência política norte-americano na University of Hawaii. Passou boa parte de sua vida acadêmica montando uma base dados sobre violência coletiva e guerra, buscando ajudar em sua solução ou eliminação. Rummel cunhou o termo democídio para assassinato pelo governo. Suas pesquisas levaram-no a afirmar que morreram seis vezes mais pessoas por democídio durante o século XX do que em todas as guerras daquele século, somadas.[1] Ele conclui dizendo que a democracia é a forma de governo menos provável de matar seus cidadãos e que uma democracia nunca (ou quase nunca) entra em guerra contra outra.[2] .
Fonte: wikipedia em 12/01/2017