sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Manifesto dos professores e professoras da faculdade de educação da UFMG em apoio a greve dos profissionais da educação da rede estadual da educação


  Como professores e professoras da Faculdade de Educação da UFMG, manifestamos nossa solidariedade com o movimento dos professores/professoras da Educação Básica do Estado de Minas Gerais.
Nas últimas décadas, a Faculdade de Educação e a UFMG como um todo têm contribuído junto com outros centros de formação para o aumento da qualificação docente, pedagógica, da educação básica. Entretanto, a qualidade dos postos de trabalho não melhorou no mesmo ritmo comprometendo a qualificação dos professores e a qualidade da educação. Estaríamos negando a função formadora da universidade se não apoiássemos as lutas legítimas dos professores por condições dignas e justas de exercer a formação recebida.
Entendemos que não falta qualificação profissional aos docentes, falta qualidade de condições de trabalho. Somos testemunhas, como professores da universidade, que não faltam por parte dos professores das escolas públicas esforços pessoais e coletivos por garantir seu direito à formação e por se qualificar em cursos de graduação, especialização, pós-graduação e de formação continuada. Porém, a elevação de sua qualificação não tem correspondido à qualificação dos postos e das condições de trabalho e a correspondente elevação dos salários. Ainda, os professores da educação básica são aqueles pior remunerados entre os profissionais da administração pública, mesmo que possuam idênticos níveis de qualificação.
Defendemos como legítimas suas lutas por melhores condições de trabalho e por um piso salarial básico justo, conquistado como direito nacional e exigido por lei como obrigação do Estado e governos de cada ente federado.
Como professores da Faculdade de Educação da UFMG, reconhecemos a história de mais de 30 anos de luta do movimento docente por reconhecimento dos trabalhadores em educação como sujeito de direitos. A consciência de sermos trabalhadores em educação básica ou superior tem significado um avanço histórico para a docência e, particularmente, para a educação, que passamos a defender como um dos campos privilegiados de direitos e, não um território de favores e barganhas políticas.
Reconhecemos que este é um dos sentidos políticos das lutas históricas do movimento docente: avançar no reconhecimento da educação como campo de direitos e, consequentemente, exigir do Estado e dos governantes seu dever de implementar políticas públicas que garantam a educação como direito público. Reconhecemos o movimento docente como o sujeito político que mais tem contribuído pela afirmação de nosso sistema educacional público como garantia do direito à educação dos trabalhadores e dos setores populares. Esse movimento vem tornando o sistema escolar mais público. Espaço de direitos. Reconhecemos as lutas dos professores como parte das lutas históricas das famílias e dos movimentos sociais.
Contrapor o direito dos professores a trabalho digno e a um justo salário básico ao direito das famílias e dos seus filhos a uma educação de qualidade é uma irresponsabilidade política a ser denunciada. Em mais de 30 anos de luta, o movimento docente vem defendendo a educação como direito de todo cidadão e dever do Estado. São mais de três décadas de solidariedade política entre os professores, seu movimento docente e a diversidade de movimentos sociais que lutam por reconhecimento. Solidariedade constituída na luta para que o Estado cumpra seu dever público Estado de direito.
A consciência do povo a seu direito à educação pública básica ou superior tem avançado de maneira mais rápida do que a consciência e a prática do Estado e dos governantes a cumprir seu dever público de construção de um sistema de educação. Estamos em tempos de avanço da consciência do direito à educação, terra, moradia, trabalho, justiça, igualdade. Consequentemente, estamos em tempos de solidariedade por pressionar o Estado, seus governantes para cumprir com urgência o seu dever de garantir essa pluralidade de direitos às famílias populares e aos trabalhadores.
As famílias populares sabem de seus esforços por garantir o direito de seus filhos à escola, à educação, ao conhecimento e à cultura. Lutam pela escola, mas sabem por experiência que a escola que tem direito exige o trabalho de profissionais em condições de cuidar, proteger, formar e tratar com dignidade seus filhos. As famílias populares construíram uma imagem positiva dos educadores e educadoras dos seus filhos. Os valorizam e com eles são solidários nas lutas por direitos pois sabem que professores quando negados em seus direitos não terão condições de garantir os direitos de seus filhos.
Ao longo das últimas décadas, foram sendo construídas novas solidariedades políticas entre o movimento docente, as comunidades de famílias populares e seus movimentos sociais em lutas comuns por direitos à escola, ao trabalho, à moradia, à terra, ao transporte.
Condenar os professores e seu movimento é uma forma de adiar seu reconhecimento como trabalhadores sujeitos de direitos, énegar a constituição de um Estado de direito e inviabilizar a conformação de nosso sistema educacional como espaço público.
Tentar contrapor o direito das famílias e seus filhos às legítimas lutas dos professores pela garantia de seus direitos é uma perversa e retrógada estratégia que merece repúdio de quem defende o estado de direito.
Merecem repúdio as estratégias que pretendem quebrar essa solidariedade. Compromisso será reforçá-la. A sorte do direito popular à educação é inseparável da sorte, do avanço, da garantia de direitos dos trabalhadores à educação. Por essas lutas estamos solidários.
Assim os seguintes professores e professoras da Faculdade de Educação da UFMG 
Ademilson de Sousa Moraes
Adla Netsaida Martins Teixeira
Adriana Maria Cancella Duarte
Amarílis Coelho Coragem
Ana Lydia Bezerra Santiago
Ana Maria Rabelo Gomes
Andrea Moreno
Antonio Augusto Gomes Batista
Antonio Júlio de Menezes Neto
Bernardo Jefferson  Oliveira
Carlos Augusto Novais
Carlos Eduardo Mazzeto Silva
Carmem Lúcia Eiterer
Célia Abicalil Belmiro
Cláudio M. M. Nogueira
Conceição C. Xavier
Cynthia Greive Veiga
Daisy Moreira Cunha
Dalila Andrade Oliveira
Eduardo Fleury Mortimer
Elizabeth Guzzo de Almeida
Geraldo magela Pereira Leão
Hormindo Pereira de Souza Júnior
Inês Assunção de Castro Teixeira
Isabel de Oliveira e Silva
Iza Rodrigues da Luz
José Raimundo Lisbôa da Costa
José Simões de Almeida Júnior
Juarez Melgaço Valadares
Juarez Tarcísio Dayrell
Júnia Sales Pereira
Leôncio José Gomes Soares
Licínia Maria Corrêa
Lívia Maria Fraga Vieira
Lúcia Helena Alvarez Leite
Luciano Mendes Faria Filho
Luis Roberto de Paula
Marcelo Ricardo Pereira
Marco Antônio F. Scarassatti
Marcos Vinícius Bortolus / Escola de Engenharia da UFMG
Maria Amália de Almeida Cunha
Maria Aparecida Paiva Soares Santos
Maria Cristina S. Gouvêa
Maria de Fátima Almeida Martins
Maria de Fátima C. Gomes
Maria Emília Caixeta de Castro Lima
Maria Gorete Neto
Maria Isabel Antunes Rocha
Maria José Braga
Maria Manuela Nartins Soares David
Maria Rosimary Soares dos Santos
Maria Teresa Gonzaga Alves
Maria Zélia Versiani Machado
Marina de Lima Tavares
Marisa Ribeiro Teixeira Duarte
Marlucy Alves Paraíso
Miguel Gonzáles Arroyo
Míria Gomesde Oliveira
Miriam Lúcia dos Santos Jorge
Mônica Ângela de A. Meyer
Mônica Correia Baptista
Mônica Yumi Jinzenji
Nilma Lino Gomes
Nilma Soares da Silva
Orlando G. de Aguiar Júnior
Pablo Luiz de Oliveira Lima
Paulo Henrique Queiroz Nogueira
Paulo roberto Maia Figueiredo
Priscila Augusta Lima
Regina Célia Passos Ribeiro Campos
Rogério
Rogério Correa da Silva
Rosilene Horta Tavares
Rosimar de Fátima Oliveira
Samira Zaidan
Sara Mourão Monteiro
Savana Diniz Gomes Melo
Sérgio Dias Cirino
Shirley Aparecida de Miranda
Tânia de Freitas Resende
Teresinha Fumi Kawasaki
Vanessa Senna Tomaz
Wagner Ahmad Auarek
Wemerson de Amorim

Walter Ude
  
"Todo o meu apoio ao professorado Mineiro por um salário digno e por melhores condições de trabalho.
 Educação de qualidade é a mais importante REVOLUÇÃO para tirar o Brasil do atraso e torná-lo uma nação soberana independente.
 Salário não é ESMOLA,
 ESCOLA  não é sucata,
 Aluno não é COBAIA.
 Minha SOLIDARIEDADE ENCORAJADORA!"
 Frei Betto

Manifestações de poio à Greve



Leonardo Boff   (Veja o vídeo ao lado)

Estou estarrecido face à insensibilidade do Governador Anastasia face a uma greve dos professores e professoras por tanto tempo.
Ele precisa ser inimigo de sua própria humanidade para fazer isso.
Ele não ama as crianças, não respeita seus pais, despreza uma classe de trabalhadores e trabalhadoras das mais dignas da sociedade, aquelas pessoas a quem nós confiamos nossos filhos e filhas para que recebam
educação e aprendam a respeitar os outros e a acatar as autoridades que foram eleitas para cuidar dos cidadãos.
Essa intolerância mostra falta de coração e de compaixão no sentido mais nobre desta virtude que é sentir a necessidade do outro, colocar-se ao seu lado para aliviar seu padecimento e resgatar a justiça mínima de um salário necessário para a vida.
Recordo as palavras da revelação consignadas no livro do Eclesiástico capitulo 34 versículo 27:”Derrama sangue, quem priva o assalariado de seu salário". Não queremos um governador que aceita derramar sangue por não querer ceder nada aos professores e professoras que pedem o que é minimamente certo e justo.
Quero me solidarizar com todos vocês e apoiar as revindicações que estão formulando.
Com meus melhores votos e também preces diante dAquele que sempre escuta o grito dos oprimidos e injustiçados.
Leonardo Boff
Teólogo e escritor

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Carta de um colega professor aos novos designados

Caríssimos colegas, Professores designados;
Gostaria de pedir suas reflexões e compreensão sobre o que vou expor.
Nós professores do Estado há mais de 14 anos estamos sofrendo um verdadeiro sucateamento da profissão por parte dos governos deste período. Há mais de 10 anos não temos aumento real de salário. Chegamos ao absurdo de ganharmos atualmente um salário base de (R$ 369,00) não dá nem para pagar a passagem. Os professores sobrevivem de “bicos” extras, vendas de bugigangas e de empréstimos de familiares. Há professores que moram com familiares, pois já perderam suas casas, outros venderam seus móveis para ir trabalhar, comer e pagar divida. Esta é nossa realidade.

Esta luta é por nosso sustento, mas também pela dignidade de nossa profissão. Com este salário de fome que o governo nos paga, somos obrigados a dar retorno de qualidade para o Estado, as famílias dos alunos, convivendo com agressões, violência na escola, ameaças, drogas, gangues e todo tipo de situações de risco, sem falar na falta de condição material de trabalho.

Esta greve é uma espécie de CHEGA!!! Que estamos dando ao governo é um grito de socorro dos professores que estão adoecendo e desistindo de seus sonhos, professores que dedicam dias e noites para a educação, dias e noites de estudos em licenciatura, em pedagogia para oferecer aos seus alunos o melhor d si, uma docência de qualidade na esperança de um dia quem sabe, construirmos uma sociedade, um pais, mais justo, mais ético, com cidadãos mais esclarecidos, politizados e solidários socialmente!!! E estamos sendo apoiados pelos alunos, pais, senadores, deputados, profissionais de outras áreas.

O governo de Minas é contra os professores, um dos motivos foi pelo apoio geral que demos a candidatura da presidenta Dilma por ter acordado investir na educação. E uma das estratégias do governo de Minas é jogar professores contra professores, promover o atrito, a discórdia entre nós mesmos e de certo modo, está conseguindo. As designações de agora tem este sentido estratégico.


O governo sabe que nós, professores, estamos à beira da miséria e conta com isso para nos usar contra nós mesmos a troco de migalhas, ele faz isso sempre, conta com a falta de solidariedade de classe, cria e incentiva o individualismo, precariza nossa vida por anos, até nos coloca na condição de desesperados, contando que venderemos até nossa alma a ponto de nos colocar uns contra os outros. É isso que o governo faz.


Não há real interesse no aluno, pois o ano todo eles e nós somos abandonados pelo governo a própria sorte em escolas sucateadas, não há interesse numa educação de qualidade, em professores mais bem preparados, pois, durante anos não há investimento em salários e nas condições de trabalho. Há sim o interesse covarde em nos aviltar, em fazer de cada um de nós e dos que foram contratados agora, de coisas, objetos de manobra estratégica, insumos a ser descartado o mais brevemente possível. Se não fosse, já teria atendido nossa reivindicação que é legítima, necessária e urgente.
Entendo que todos precisam trabalhar. Tenha certeza que este é meu caso também, e minha situação é gravíssima, mas há outros meios, outros caminhos que valorizam nossa pessoa, nossa profissão, nosso ideal e que não mate nossos sonhos.


Entendo que só somos merecedores do respeito, da admiração, dos valores que nos tornam mais humanos perante a nós mesmos, a nossos filhos, familiares, amigos e à sociedade, se, agirmos sob o princípio da ética e da moral, sem abrir mão nunca da nossa dignidade humana. Em primeira instância é assim que devemos nos apresentar aos nossos alunos e é isso que eles esperam de cada um de nós.


Foi isso que a Filosofia me ensinou e por isso sou professor de Filosofia.
Gostaria que refletisse sobre isso e que juntasse a nós nesta luta que também é sua direta ou indiretamente.
Abraço!
Belo Horizonte, 20/Ago/2011
Prof. Westerley